Iggy vira DJ, e toca Bowie

bowie e iggy

Coisa de brother. Na edição desta semana de seu programa radiofônico Iggy Confidential, que vai ao ar na BBC 6 Music, o pai do punk Iggy Pop dedicou duas horas de música para homenagear o amigo (e salvador) David Bowie. Ou seja, o ilustre DJ tocou uma seleção especial só de Bowie.

Sabe-se que Bowie e Iggy já firmaram diversas parcerias, principalmente quando o gênio britânico resgatou o então vocalista dos Stooges do fundo do poço. David Bowie produziu Raw Power (1973) – um dos discos mais incríveis de punk rock – e posteriormente, em 1977, assinou também a produção de The Idiot e Lust For Life, e isso não é pouca coisa.

A seguir a playlist com as faixas tocadas por Iggy Pop (confira o programa aqui), o que mostra que de David Bowie ele entende muito bem. Deixo ao final deste texto o vídeo da canção “DJ”, música que talvez Bowie dedicasse a Iggy após ouvir o programa da BBC: “I am a DJ, I am what I play”. Perfeito.

Boys Keep Swinging

Art Decade

John, I’m Only Dancing (Sax Version)

Black Country Rock

Station to Station

What in the World

Wild Is the Wind

The Prettiest Star (Single Version)

Moss Garden

Panic in Detroit

Dirty Boys

Moonage Daydream

Sound and Vision

Under Pressure

Diamond Dogs

Criminal World

Where Are We Now?

I Can’t Give Everything Away

Stay (US Single Edit)

TVC 15

Young Americans (Single Version)

Golden Years (Single Version)

Aladdin Sane

Dollar Days

Warszawa

 

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David Bowie, a identidade musical em processo

PRÓXIMA TATOO

A lacuna que David Bowie deixa na cultura pop nunca será preenchida. O luto dos fãs é compreensível, sincero e ainda irá doer por um longo período. No meu caso, acho que não lamento tanto a morte de um artista desde 2002, quando o telefonema de um amigo me avisou sobre o falecimento de Joe Strummer (Clash). Somente hoje consegui escrever sobre o assunto, uma vez que no último post escrito neste blog, em 2015, celebrei o lançamento do álbum Blackstar.

Nos inúmeros textos que li sobre Bowie, grande parte se referia à sua genialidade de abordar a própria morte iminente no vídeo da canção “Lazarus”, ao evocar o significado simbólico do personagem bíblico ressuscitado por Jesus, e também ao cantar o verso: “olha aqui para cima / estou no céu”. De fato, há clara menção ao tema na letra e na linguagem obscura de seu clipe, o que demonstra que a vida do músico foi uma obra de arte em si. Ou seja, nele legado artístico e narrativa de vida estão conectados, embaralhados.

Mas o aspecto mais fascinante na trajetória de David Bowie foi sua capacidade de assimilar os diferentes momentos da música, e aproveitar suas texturas sonoras para gerar diferentes sentidos na cultura pop. Em seus discos é possível observar traços de folk, glam rock, new wave, punk, e música eletrônica – entre outras fontes sonoras. Por esse motivo, a genialidade de Bowie está, sobretudo, associada à sua identidade musical sempre em processo criativo, pois ela não fecha em uma delimitação de gênero, mas é deliciosamente teimosa ao escapar às tentativas de definição.

Concordo com o belo texto assinado por Hari Kunzru no Guardian, pois Bowie sintetiza a liberdade de construção dos universos de pertencimento, e essa discussão é amplamente pertinente no cenário atual, quando nos deparamos com forças conservadoras que tentam delimitar indivíduos em unicidades semânticas. Um dos principais teóricos dos Estudos Culturais, Stuart Hall, problematizara que a questão multicultural é essencial à definição de democracia. E a diversidade musical (e cultural) de Bowie remete a esse tipo de pensamento.

Afinal, o frescor de seus discos reside na facilidade com a qual o músico soube absorver a diferença – e falo isso porque há, no mínimo, dez álbuns de Bowie que obrigatoriamente devem estar em qualquer lista séria de rock. Portanto, devemos celebrar David Bowie porque sua construção identitária estava sempre aberta e receptiva às novas possibilidades estéticas, o que significa, acima de tudo, uma postura artística que reforçou a liberdade de assumir quaisquer representações na cultura pop.

Vem, 2016! Com Bowie e PJ Harvey

bowie

O ano está prestes a acabar, mas futuros lançamentos que pipocaram na web nesta semana deixaram boas perspectivas para 2016 – sem contar as nossas projeções pessoais, haha. Na onda das boas notícias, e em meio à euforia de Star Wars, eis que o incansável David Bowie e a ótima PJ Harvey irão lançar seus respectivos próximos discos no ano que vem.

pj

PJ não lança um trabalho de inéditas há cinco anos, e divulgou hoje um teaser incrível de trinta segundos. Tudo bem, concordo que é muito pouco para uma análise justa, mas a canção de guitarra encorpada que acompanha a bela voz da artista parece bem boa.

Já Bowie mostrou, de uma só vez, o nome de seu próximo álbum, Blackstar, e a data de lançamento do trabalho, previsto para chegar às lojas em 8 de janeiro. O primeiro single também foi divulgado, trata-se da belíssima “Lazarus”, de clima sombrio e que poderia perfeitamente entrar para a lista de melhores do ano – talvez ainda dê tempo.

Aos leitores

O ano acaba com duas boas notícias, de artistas que geralmente são abordados neste espaço. No próximo ano estaremos de volta a partir da semana do dia 4 de janeiro, e quem sabe com novidades na manga (yeah!). È isso, um ótimo 2016 a todos.

A seguir, PJ Harvey e David Bowie.

 

 

Cinebiografias de músicos que a gente gostaria de ver (algum dia)

Quem não se lembra da belíssima interpretação de Joaquin Phoenix no filme Walk the Line (por aqui, Johnny e June), sobre a trajetória do grande Johnny Cash? Menção honrosa também para Reese Witherspoon, que interpretou June Carter na mesma obra. Cinebiografias têm o poder de transpor para as telas de cinema a vida de artistas que admiramos, fato de extrema importância para malucos por música – quem já foi arrebatado momentaneamente da realidade, após colocar um disco para tocar, sabe muito bem do que estou falando.

Hoje me deparei com uma postagem interessante no site da NME, que trazia sugestões de atores para interpretar roqueiros e artistas da música pop em eventuais cinebiografias. Em vez de especular quem será próximo ministro da Fazenda, a gente fica nessas maluquices – que julgamos importantes (rá!).  Voltando à lista, selecionei algumas possibilidades, lá vai: Scarlett Johansson de Debbie Harry, Lenny Kravitz de Bob Marley (eu curti!), Tilda Swinton de Bowie (haha) e Joseph Gordon-Levitt de Joe Strummer (foto que ilustra este texto) – todos certamente dariam conta do recado.

Tudo bem que a publicação britânica exagerou na dose ao sugerir Jennifer Aniston de Iggy Pop (maldade, hehe) e botou o Alex Turner numa fria ao apontar que o vocalista do Arctic Monkeys poderia interpretar Elvis Presley nas telonas – visualmente é possível, o problema é sotaque inglês que não combina –, mas a viagem rende boas discussões. Eternas discussões.

Confirmados mesmo temos o longa Get on up, cinebiografia de James Brown, com o ator Chadwick Boseman no papel do padrinho do soul, e Andre 3000 interpretando Jimi Hendrix, no filme sobre o lendário guitarrista. Para conferir a lista completa da NME clique aqui. Vale a pena.

Os cinco melhores álbuns (internacionais) de 2013

Ano produtivo na música, trabalho árduo para o Cultura no Prato. A missão de selecionar os cinco discos mais legais de 2013 – não necessariamente os mais legais, se é que vocês me entendem – foi das mais difíceis, enfim, obviamente deixamos belos álbuns de fora. Sorry.

Já fazendo o mea culpa, fui obrigado a pensar e pensar, ouvir as canções, ler resenhas nas principais revistas e jornais para montar a listinha. Uma tortura. O fato é que deixar discos como Settle (Disclosure), Silence Yourself (Savages), Push the Sky Away (Nick Cave & The Bad Seeds) e Modern Vampires of the City (Vampire Weekend) não deve ser considerado um crime, pois estes discos estão sim entre os melhores do ano – seja qual for a lista.

Vamos ao que interessa, os cinco melhores discos deste ano, na opinião deste blog que acompanhou e abordou o lançamento de cada um destes grandes trabalhos.

Arctic Monkeys – “AM”

Com AM, o Arctic Monkeys formou uma trilogia bem interessante em sua discografia, ao lado de Humbug (2009) e Suck It And See It (2011). Segundo a NME, eles ainda têm muito para contribuir com a música. Concordo.

Daft Punk – “Random Access Memories”

Após dezenas de teasers do hit “Get Lucky”, o Daft Punk retornou ao cenário musical com um ótimo disco, que ainda conta com a participação do Stroke Julian Casablancas. O som retrô da dupla francesa é inconfundível.

David Bowie – “The Next Day”

Este belíssimo disco marca o retorno do gênio David Bowie. Sem mais.

Haim – “Days Are Gone”

Desde que lançou o ótimo Forever EP (um EP, claro), o trio formado pelas irmãs Este, Alana e Danielle Haim só cresceu musicalmente. Algumas faixas de Forever foram tão bem recebidas pela crítica que até entraram no Days Are Gone. O som é indie-pop-80’s. Coisa linda do início ao fim.

Lorde – “Pure Heroine”

Nascida Ella Yelich-O’Connor, a cantora e compositora neozelandesa Lorde é uma espécie de furacão contemporâneo. A sonoridade dela parece estar entre a Lana Del Rey e o XX. Esqueça o hype, ela é boa mesmo.

Aguardem, na próxima semana teremos a listinha dos “cinco melhores álbuns lançados no Brasil”.

Resumo musical

Moz vai regravar Lou

A música contemporânea não teria nome mais adequado para prestar uma homenagem justa (e, à altura) ao ícone Lou Reed que o Morrissey. Que o grande Moz é fã assumido do legado deixado por Lou, não há dúvida – o Velvet Underground bateu forte nos ouvidos do músico antes mesmo dos tempos de Smiths.  Um versão para “Satellite of Love”, gravada por Morrissey em 2011, durante um show em Las Vegas, será lançada como single no próximo dia 2 de dezembro. A canção vai integrar uma versão em vídeo da autobiografia do Moz, que tem sido um grande sucesso no mercado editorial. O vídeo você confere a seguir. E quer saber? A versão ficou incrível.

 

Lorde visita o Letterman. Lorde faz cover de Tears For Fears!

A menina vale outro: com apenas 17 aninhos, a cantora neozelandesa Lorde, que faz um som meio indie, meio pop, meio Lana Del Rey com XX, tem abalado o cenário musical. Nesta semana ela deu o que falar: visitou o programa do David Letterman, deu uma tremenda audiência e ainda gravou uma versão para “Everybody Wants to Rule the World”, do Tears For Fears, para o filme Hunger Games (Jogos Vorazes). Estava ouvindo o novo álbum dela hoje, que vazou no YouTube, clique aqui e ouça enquanto é tempo. O disco é bem interessante.

 

Lily Allen lança vídeo e alfineta Robin Thicke

A Lily Allen está de volta e não está para brincadeira. Seu retorno não poderia ser melhor, acredite, o primeiro single divulgado pela cantora inglesa nesta semana, “Hard Out Here”, dá uma bela alfinetada no hit “Blurred Lines”, do cantor Robin Thicke. No vídeo da canção do músico pop, uma garota dança próxima à frase: “Robin Thicke tem um grande pênis” – uma piada sem graça, convenhamos. Em resposta, no vídeo divulgado pela cantora, eis que surge a mensagem: “uma vagina larga”, em resposta aos machões. O próximo álbum de Lily Allen está previsto para ser lançado em 2014 e, segundo a própria artista, o novo trabalho terá “vibrações feministas”. É por isso que adoramos a Lily!

 

David Bowie lança vídeo sexy, via revista VICE

David Bowie decidiu fazer uma parceria com a publicação VICE, revista cult linha editorial vai de sexo a geopolítica, para divulgar a nova versão do vídeo da faixa “Love Is Lost”, que integra a edição “de luxo” do álbum The Next Day. O vídeo é bonito, sexy e a canção é aquela remixada pelo James Murphy – com calorosos 10 minutos de duração.

 

Canções do próximo álbum do Jake Bugg vazam na web 

O músico-prodígio Jake Bugg, atração confirmado no line up do nosso Lollapalooza 2014, lança seu segundo álbum, Shangri La – gostei do nome –, na próxima semana. No início desta semana, o garoto inglês (ele tem apenas 19 anos) divulgou o primeiro single que irá compor seu novo trabalho, “Messed Up Kids”. A canção tem mesmo “jeito” de grande hit e repercutiu bem em diversas publicações – entre revistas especializadas e grandes jornais. Na última quinta-feira (14), outra faixa do Shangri La vazou na web, desta vez a bela “A Song About Love” – nem preciso dizer que a canção é uma balada (hehe). Fiquem de olho nesse moleque!

Resumo musical

Arcade Fire toca Devo

O Arcade Fire lançou na última semana o álbum Reflektor e tem se apresentado por aí sob o nome The Reflektors, sacada inteligente para promover a chegada do novo trabalho. Os shows da banda também têm surpreendido. Durante uma apresentação em Los Angeles, o Arcade Fire tocou uma versão interessante para “Uncontrollable Urge”, faixa do lendário grupo punk/new wave, Devo. Ficou legal.

 

Killers vai ao Jools… E Killers divulga nova faixa

O Killers lança a coletânea Direct Hits no próximo dia 11 de novembro. O tal resumo na trajetória da banda talvez antecipe um período de férias, ou talvez não. Há poucas (ou quase nenhuma) pistas. O novo trabalho terá duas faixas inéditas: “Shot at the Night” e “Just Another Girl”, esta última o grupo do Brandon Flowers divulgou nesta semana (vídeo abaixo). A banda também visitou o programa do mito Jools Holland, na BBC Two e tocaram, entre outras faixas, “Shot at the Night” – que particularmente acho bem bonita.

 

Chvrches lança novo video

Ah, essa banda Chvrvches tem arrancado elogios aqui no Cultura no Prato. Projeto indie-eletrônico dos bons, o grupo lançou recentemente seu primeiro álbum, Bones of What You Believe, trabalho cheio de referências legais e que colocou o Chvrches entre as bandas do momento. Nesta semana a banda divulgou o vídeo do segundo single do disco, “Lies” – o clipe está pode ser visto aqui. Já estou fazendo campanha para vê-los aqui no Brasil em breve!

 

Dose dupla de Bowie

O disco que trouxe David Bowie novamente ao cenário musical, The Next Day, vai ganhar uma versão com um rico material extra. Já falamos sobre isso aqui (hehe). Mas a novidade agora é que Bowie divulgou nesta semana duas das faixas inéditas que irão compor a nova versão de The Next Day. São elas: “Atomica” e “Born in a UFO” – confira a seguir. O material inédito ainda terá “Love is Lost (Hello Steve Reich Mix by James Murphy)”, “The Informer”, “Like a Rocket Man”, “I’d Rather Be High (Venetian Mix)” e “God Bless the Girl”. Valeu, Bowie!