MØ encontra o reggae em versão para “Lost” (Frank Ocean)

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Cheguei a pensar que o acontecimento musical desta semana seria o som novo da M.I.A., “Bird Song”, faixa pesadona produzida pelo Blaqstarr. Mas o mergulho da cantora MØ no reggae/dub que conduz a ótima releitura da artista para “Lost”, do Frank Ocean, merece destaque neste espaço comunicativo.

Não é apenas pelo fato de a cantora meter os dois pés em Kingston, nesta gravação feita para um programa da inglesa 4Music, mas por conta da mistura de sons sintéticos que ecoam das simulações do aparato eletrônico com a bateria. Interessante menção ao dub jamaicano, a faixa já pode entrar na listinha de versões que superam as originais, sorry Frank.

Em tempo: ouçam também “Bird Song”, da M.I.A., vale muito a pena.

 

Alan Vega foi alternativa ao mainstream

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Martin Rev e Alan Vega (Suicide).

A morte do vocalista da dupla Suicide Alan Vega, na última semana, representou duro golpe na cena musical que emergiu como contraponto à música mainstream nos Estados Unidos, ao final da década de 1970. Semente do punk que explodiu em 1977, esse cenário trouxe nomes como New York Dolls, Blondie, Ramones, Richard Hell, Patti Smith e, claro, o ótimo Suicide.

No caso da dupla Vega e Martin Rev, este operador de sintetizadores e bateria, a influência foi estendida ao campo da música eletrônica por meio de uma linguagem de agressiva textura sintética e elementos rockabilly. Assim, o álbum de estreia Suicide (1977) codificava signos distintos que rompiam com qualquer associação aos produtos midiáticos de sua época, sobretudo por conta da parede sonora controlada por Rev que sedimentava a performance de Vega – que chegou inclusive a enfrentar o hostil e difícil público do punk britânico.

O trabalho do Suicide foi alternativa ao mainstream e hoje é celebrado por nomes como Primal Scream e Savages. Ambos, aliás, chegaram a gravar uma bela versão para “Dream Baby Dream”. Mas a lista de influenciados é longa – a Pitchfork publicou nesta semana uma ampla relação de artistas que beberam nessa fonte sonora –, com destaque ao sample de “Ghost Rider” usado pela cantora M.I.A na faixa “Born Free”.

Para homenagear Vega, finalizo este texto com ótimo álbum de estreia do grupo, obrigatório em qualquer discografia pré-punk, seguido pela versão do Savages para “Dream Baby Dream” e a pedrada “Born Free”.

 

 

M.I.A. e as fronteiras

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Quando as relações econômicas foram submetidas ao modelo capitalista neoliberal, ao final da Guerra Fria, a política financeira imposta, sobretudo por Europa e Estados Unidos, trouxe maximização de lucros para uma pequena parcela e austeridade, pobreza e abandono a consideráveis populações. Entre as promessas desse “novo modelo”, o livre comércio, que mais tarde mostrou o rosto perverso de um espetáculo imagético em prol do consumo, no qual a maioria não possui acesso sequer a direitos básicos, tampouco a compras, pois nada mais são do que consumidores imaginados.

O está consolidado é um mundo onde a imposição de socioestilos é estratégia para estabelecer gostos homogêneos, cuja estrutura de poder é legitimada com auxílio dos conteúdos midiáticos e indústrias culturais. E pior, no contexto das guerras, os países que antes colonizaram hoje interferem diretamente nos continentes antes explorados potencializando a pobreza e acirrando lutas armadas das mais diversas. O que ocorre na Síria é exemplo notório. A cada bombardeio mais pessoas precisam deixar suas casas e fugir, por conta de uma guerra abastecida com armas made-in-ocidente – ou seja, fabricadas pelas mesmas potências que impõem o tabuleiro do jogo econômico global.

Neste ano assistimos a uma das maiores tragédias humanitárias, no que diz respeito aos refugiados. Se, no modelo neoliberal a mercadoria circula livremente, a maneira com a qual a Europa tratou boa parte das pessoas em situação de refúgio mostra que ao ser humano as fronteiras têm sido fechadas. E os acessos negados. Essa temática veio à tona nesta sexta-feira (27), no vídeo da canção Borders (vídeo abaixo), lançado pela cantora M.I.A., cujas imagens fazem menção às pessoas que buscam abrigo e distâncias das guerras.

Em uma das cenas, M.I.A. aparece vestindo uma camiseta do clube Paris Saint-Germain, com o nome de seu patrocinador alterado, de “Fly Emirates” para “Fly Pirates”, em uma apropriação crítica que também coloca os últimos acontecimentos em Paris (aqui há um ótimo texto sobre o assunto) na abordagem da canção. E acerta, pois o lamentável ataque à cidade francesa possui relação com as políticas impositivas das grandes potências. Como já havia feito outras vezes, M.I.A. resume com inteligência e engajamento artístico uma série de questões que necessitam ser debatidas com lucidez. Afinal, a arte é capaz de reforçar reflexões, em especial sobre um tema tão importante, algo como: o que estamos fazendo com nós mesmos?

 

Resumo musical

Johnny evoca Depeche Mode

Anos 80 em estado puro. O competente Johnny Marr divulgou nesta semana o lançamento de um single durante o já tradicional Record Store Day (data na qual lojas especializadas em discos oferecem promoções especiais). No lado A, Marr evoca o Depeche Mode com uma ótimo versão para a também ótima “I Feel You” (vídeo abaixo). Já o lado B, outra lindeza oriunda dos anos 80: “Please Please Please Let Me Get What I Want” – de seu ex-grupo Smiths. Muito classe!

Mais uma faixa do novo álbum Best Coast. Apenas

O Best Coast prepara o lançamento de seu próximo álbum, California Nights, previsto para chegar às lojas em 4 de maio. Após divulgar a faixa-título do novo trabalho, o grupo liderado pela vocalista Bethany Cosentino mostrou ao público nesta semana a bela “Heaven Sent”, que diferente da canção que dá nome ao disco, soa ensolarada como a Califórnia do Best Coast.

MIA entre tweets e canções

A produção musical híbrida da cantora MIA não é novidade. Tão movente quanto a sonoridade da artista, é a maneira com a qual ela trabalha, sempre inquieta, divulgado suas empreitadas e defendendo posicionamentos políticos nas redes sociais. Na última semana, após divulgar a faixa “All My People”, ela afirmou que mais novidades surgiriam, e não demorou para a cantora postar, na plataforma SoundCloud, a canção “Can See Can Do” – que musicalmente tem um pezinho no nosso funk. Junto com a faixa, ela escreveu o seguinte (em caixa alta mesmo): “DEMOCRACY CONVERSATIONS ! TAMILS ARE STILL WAITING ! AND NO MY BEATS ARE NOT BETTER WITHOUT MY POLITICX”. Ela é demais.

Documentário sobre o Damned estreia no SXSW

Dirigido e produzido por ninguém menos que Lemmy Kilmister (Motörhead), o documentário The Damned: Don’t You Wish That We Were Dead estreia na edição deste ano do festival SXSW – que começa neste final de semana. Trata-se de um belo recorte sobre a trajetória de um dos grupos mais importantes do punk rock britânico: o Damned. Entre os personagens que narram essa história, além obviamente dos integrantes da banda, há depoimentos de nomes como Chrissie Hynde (Pretenders), Mick Jones (The Clash), Steve Diggle (Buzzcocks), Lemmy Kilmister (Motorhead) e Dexter Holland (The Offspring), entre outros. O documentário ainda não tem data de estreia aqui no Brasil.

Savages toca faixa inédita durante show em Nova Iorque

O Savages passou por Nova Iorque em janeiro, mas somente agora, por meio das redes sociais, a gente ficou sabendo que o grupo britânico tocou a inédita “Adore” por lá. Segundo a incrível vocalista Jehnny Beth, trata-se de uma canção sobre “vida e morte”. Repare que o show ocorreu em um lugar pequeno, chamado Mercury Lounge, que facilmente remete aos clubes punk do final dos anos 70.

Resumo musical

Mia desconstrói canção Beyoncé em remix

Uma das grandes sacadas das remixagens é o poder que este recurso possui em desconstruir e reeditar, com uma nova roupagem sonora, uma canção. A ótima M.I.A levou esse conceito ao patamar do acerto ao elaborar uma grande versão remix para  “Flawless”, da cantora Beyoncé. A valorização das batidas deu peso à música, que foi rebatizada de “Baddygirl 2″, com direito a alteração em partes-chave da letra, como no verso acrescentado: “men and women are 50/50″. Genial. O remix elaborado pela M.I.A está disponível para audição na plataforma Soundcloud.

 

Blondie completa 40 anos de carreira

Completar 40 anos não é para qualquer banda. Lançar discos como Blondie (1976), Plastic Letters (1977) e Parallel Lines (1978) também não. Por estes e outros motivos é que a banda norte-americana Blondie precisa ser celebrada. Nos últimos dias, a lendária banda tem feito diversas apresentações para comemorar o tempo de estrada e também para promover o lançamento do box Blondie 4(0) Ever, material que reúne a coletânea Hits: Deluxe Redux e o álbum de inéditas Ghosts of Download (clique aqui e ouça!). Nesta semana o Blondie foi ao programa The Daily Show e, entre as canções tocadas, mandaram a inédita “Sugar on the Side” – que na versão de estúdio conta com a participação de Beth Ditto. Parabéns ao Blondie!

 

Chvrches libera show realizado em Londres na web

A banda Chvrches tem sido destacada neste blog, principalmente após o lançamento do álbum de estreia do trio electro-indie, The Bones of What You Believe. O disco recentemente ganhou uma nova versão, com algumas remixagens, entre elas das canções “Gun”, “The Mother We Share” e “Recover”. Nesta semana o grupo formado por Iain Cook, Martin Doherty e Lauren Mayberry divulgou na web o show na íntegra, realizado pela banda em Londres, no mês de março. Clique aqui e assista à apresentação. Sinceramente, acho que já demorou para algum festival trazê-los ao Brasil.

 

Em vídeo, Morrissey pomove novo álbum de maneira poética

Após divulgar a arte da capa de seu próximo álbum World Peace Is None of Your Business (what a name, Moz!), uma das mais legais dos últimos anos, devo admitir, o incrível Morrissey divulgou nesta semana um vídeo no qual promove o lançamento de seu novo disco. Nas imagens, Moz faz uma leitura poética da letra de uma das faixas, ao piano, e em seguida recebe das mãos de Nancy Sinatra a suposta carta com a letra da canção. É o Morrissey flertando com a poesia.

 

Bob Dylan divulga nova canção

O lendário Bob Dylan divulgou nesta semana, por meio de sua página na web, uma versão para a canção “Full Moon And Empty Arms”, de Buddy Kaye e Ted Mossman, mas que ficou famosa na voz de Frank Sinatra. Nesta leitura, Dylan propõe uma sonoridade mais calma, que dialoga com o grande Sinatra, um pouco diferente de seus trabalhos mais focados no folk e no blues-rock, com os quais estamos acostumados. Concomitante à divulgação da faixa, o cantor também anunciou que lançará um álbum neste ano.

Resumo musical

Canção do Haim ganha remix de Giorgio Moroder

As meninas do Haim estão “bem na foto” neste ano. O álbum de estreia do trio de irmãs – cujo baterista homem completa o time –, o ótimo “Days Are Gone”, recebeu elogios da crítica e tem figurado em praticamente todas as listas de melhores do ano até o momento – de Q Magazine a Rolling Stone. Nesta semana as moças foram contempladas por um remix bem especial, assinado pelo produtor, compositor e um dos pilares da disco music, o italiano Giorgio Moroder. A versão ficou incrível, confira a seguir.

 

MIA divulga faixa bônus do álbum “Matangi”

O quarto álbum da cantora MIA, Matangi, foi lançado em novembro, após um considerável atraso – chegou a ser “anunciado” em 2012, sério. Ainda bem fresco no mercado, o disco teve uma espécie de faixa bônus divulgada pela artista nesta semana. A faixa se chama “Trouble Again”, e mescla batidas eletrônicas, rap e viradas sonoras marcantes. Uma prova do bom retorno da MIA ao cenário musical.

 

Sai o clipe de “Instant Crush”: o clipe do Daft Punk e do Julian Casablancas

Por meio de uma TV francesa, foi divulgado nesta semana o teaser do vídeo de “Instant Crush”, faixa que compõe o ótimo Random Access Memories, álbum lançado pelo Daft Punk neste ano e que está em praticamente TODAS as listas de melhores de 2013. O (incrível) vídeo saiu hoje, na íntegra. A faixa conta com a participação especial do ‘stroke’ Julian Casablancas, sim, o mesmo que vem ao Brasil para se apresentar no Lolla 2014. Desnecessário dizer que a canção é demais, né?

 

O Killers e as canções natalinas

O Killers reforça mais uma vez sua posição no grupo de artistas que possui canções natalinas no currículo – a banda já fez isso outras vezes. Nesta semana, o grupo liderada pelo Brandon Flowers soltou o clipe da faixa “Christmas in LA”, que em determinado momento faz menção ao hit “Carmelita”, do cantor norte-americano Warren Zevon. “This year, the song’s about a struggling actor in LA who misses the traditional Christmas,” disse Flowers ao Metro internacional. É o Killers no clima natalino.

 

Lorde lança vídeo novo

Após ouvir o álbum de estreia da Lorde – a cantora de 17 aninhos –, uns três dias seguidos, durante o caminho ao trabalho, cheguei à conclusão de que se trata de um grande disco. Em especial a faixa “Team”, que coincidentemente ganhou um belo clipe nesta semana. Há poucos dias a Lorde apresentou a mesma “Team” durante um show na Austrália, que repercutiu bem nas redes sociais. Ela vem ao Lollapalooza Brasil e, claro, o Cultura no Prato estará lá. A mocinha é competente mesmo.

Resumo musical

MIA divulga novo video. MIA visita o Colbert!

Há poucos dias a cantora MIA lançou o álbum Matangi, disco que já recebeu elogios aqui no blog. Nesta semana a artista divulgou o vídeo que ilustra o single “Y.A.L.A.”, cheio de imagens legais e com uma vibe bem fashion. Ainda falando sobre a MIA, a artista marcou presença no programa do norte-americano Stephen Colbert. A conversa rendeu uma ótima entrevista, clique aqui e confira.

 

Ah, o Chvrches!

Preste bem atenção, das bandas consideradas destaques em 2013, o Cultura no Prato faz questão de destacar a escocesa Chvrches. O trio lançou um dos álbuns mais criativos (e bons) do ano – aguarde nossa listinha básica com os melhores em dezembro –, o belo The Bones of What You Believe. Nesta semana o grupo visitou o programa Jimmy Kimmel Live!, separei a incrível “The Mother We Share” para acompanhar este texto.

 

Confirmado no Lolla 2014, Arcade Fire divulga novo vídeo

O Arcade Fire é uma das grandes atrações do Lollapalooza Brasil 2014, o grupo virá ao País embalado pelo sucesso de seu recém-lançado Reflektor. Nesta quinta-feira (21), a banda divulgou o vídeo da faixa “Afterlife”, que aborda a dificuldade de se lidar com a morte de uma pessoa querida. A abordagem é bem triste, concordo, mas a canção é uma das mais belas que o Arcade Fire já fez. O show no Brasil promete.

 

Temples divulga nova faixa

Lembra quando no início do ano apontamos o Temples como uma das promessas para 2013? Pois bem, nesta semana a banda divulgou a faixaMesmerise”, canção que remete a Beatles “fase Revolver” e outras genialidades psicodélicas dos anos 60. O single foi o destaque da semana no site da Mojo Magazine, sem contar que o grupo vem recebendo elogios de gente como Noel Gallagher e Paul Weller. Preste mais atenção nesses caras!

 

Savages mostra show que fará o Lolla 2014 tremer!

O show que mais quero ver no Lolla 2014, sem dúvida nenhuma, é o do grupo inglês Savages. A banda verte referências legais de pós-punk e tem uma vocalista, a Jehnny Beth, que é cheia de energia (e pitadas de Ian Curtis). Nesta semana vazou na web uma apresentação do grupo realizada neste ano no Lincoln Hall, Chicago. É ou não é um show imperdível. Que venha 2014!