Livro da semana

Um mergulho no universo de Ingmar Bergman

 

É raro ter a oportunidade de desvendar a mente de um gênio do cinema, conhecer suas obsessões e acontecimentos pessoais marcantes. Mas, ao entrar em contato com as páginas de Lanterna Mágica, autobiografia do cineasta e dramaturgo Ingmar Bergman, o leitor é convidado a mergulhar no universo criativo do diretor, um lugar temperado por histórias e relatos capazes de dialogar com o rico legado do artista.

Lançado em 1987, a obra acaba de ganhar uma nova versão, reeditada pela Cosac Naify. No prefácio, Woody Allen – um dos discípulos de Bergman – relata a importância do cineasta sueco e descreve sua admiração por filmes como Gritos e Sussurros e Morangos Silvestres.

Ao narrar a própria trajetória, Ingmar Bergman fala sobre a infância difícil, vivida sob os olhares de um pai protestante e rígido, e de uma mãe ausente. No campo das artes, o diretor exalta a paixão pelo teatro, a admiração pelos filmes de Andrei Tarkovski e conta como foi conhecer a atriz Greta Garbo

Embora Lanterna Mágica seja um livro composto por pensamentos soltos, seu conteúdo desvenda segredos de um artista inquieto e apaixonado, autor de obras fundamentais do porte de O Sétimo Selo e Persona.

 

 

Serviço:

Lanterna Mágica – Uma Autobiografia

Autor: Ingmar Bergman.

Tradução: Marion Xavier.

Editora: Cosac Naify.

Páginas: 320.

Preço: R$ 87,50.

Livro da semana

Para falar sobre Cartola

 

O instinto de pesquisador que marcou a carreira do escritor Denilson Monteiro, famoso por assinar biografias de nomes como Ronaldo Bôscoli e Carlos Imperial, guiou o minucioso estudo que deu origem a mais uma obra de caráter biográfico, o recém-lançado Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa, sobre o lendário sambista Cartola.

A grande sacada do autor foi reunir diversas imagens, capazes de narrar momentos fundamentais na vida de um dos maiores nomes da música brasileira. De acordo com Denilson Monteiro, apesar do caráter ilustrativo do livro, também houve uma grande preocupação com a elaboração do texto – peça-chave para a conclusão do trabalho.

Entre os principais fatos levantados pela pesquisa estão os conflitos familiares vividos por Cartola durante a adolescência, cujos desfechos levaram o músico a dormir algumas noites em vagões de trens. O prefácio é assinado pelo jornalista Sergio Cabral e o livro vem acompanhado por um disco com a última apresentação do sambista e fundador da Estação Primeira de Mangueira.

 

Serviço:

Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa

Autor: Denilson Monteiro.

Editora: Casa da Palavra.

Páginas: 208.

Preço: R$ 80.

Livro da semana

Uma vida dedicada aos três acordes

A rotina de John Cummings (1948 – 2004) sofreu grande mudança quando ele, ainda jovem, foi despedido da construção onde trabalhava, no bairro do Queens, em Nova York.  Neste período, a amizade com Dee Dee cresceu, bem como as afinidades musicais entre os dois, que iam de Elvis Presley a Stooges. A ideia de montar uma banda ocorreu naturalmente. 

O período de desemprego era preenchido com ensaios, desastrosos ensaios, ao lado dos amigos Dee Dee, Tommy e Joe. À época, a banda tocava canções dos Beatles e Beach Boys, mas, como não possuía a mesma técnica de seus heróis, o grupo decidiu compor as próprias canções, de nível mais simples, compostas por aproximadamente três acordes.

Nascia uma das maiores bandas da história do punk rock: os Ramones – sobrenome inspirado no sobrenome falso, usado por Paul McCartney para não ser reconhecido nos hotéis por onde passava. Editado pela LeYa, Commando – a Autobiografia de Johnny Ramone reúne histórias vividas pelo lendário guitarrista Johnny Ramone, nos tempos em que ele integrou o grupo.

Fofocas de bastidores, discussões internas com os colegas de banda, a amizade com o vocalista Johnny Rotten (Sex Pistols) e a belíssima homenagem prestada aos Ramones, na cerimônia do Hall da Fama do Rock, tudo narrado pelo próprio músico. Entre momentos polêmicos e reveladores, o livro mostra o amor que Johnny tinha pelo legado dos Ramones, fator que acompanhou o guitarrista por toda a sua vida.

 

Serviço:

Commando – A Autobiografia de Johnny Ramone

Autor: Johnny Ramone.

Editora: LeYa.

Páginas: 176.

Preço: R$ 44,90.

Livro da semana

Vida conturbada e legado genial

 

Os escritores Steven Naifeh e Gregory White Smith são especialistas na arte de escrever biografias. Estimulados pela possibilidade de desvendar mistérios capazes enriquecer consideravelmente histórias de vida, os autores assinaram, entre outras obras, a trajetória do artista Jackson Pollock, que resultou no roteiro do ótimo filme Pollock, (2000). Lançado no Brasil pela Companhia das Letras, o novo trabalho da dupla, Van Gogh: A Vida, abre novos debates sobre o holandês Vincent Willem Van Gogh (1853­ -1890).

Hoje Van Gogh é um nome fundamental no campo das artes, mas chegou a encontrar dificuldades para vender seus quadros. O roteiro dramático que guiou boa parte da vida do artista inclui também a relação polêmica com o pai, as conversas com o irmão Theo, a ligação com a religião, a amizade com Paul Gauguin, a loucura, a automutilação da orelha e o suposto suicídio.

Embora existam muitas obras baseadas na vida de Van Gogh, a pesquisa dos autores Steven Naifeh e Gregory White Smith percorre todas as feridas do artista lançando novas interpretações a respeito de algumas delas, como a contestação em relação à tese que defende o suicídio do artista. Como escreveu William Feaver, no jornal britânico The Guardian: “Uma biografia de Van Gogh minuciosa o suficiente para ensejar uma reavaliação de tudo o que já se escreveu sobre o artista, e do que ele escreveu sobre si mesmo.”

Leia um trecho do livro a seguir:

Theo achava que sabia a resposta: Vincent era vítima do próprio coração, um coração fanático. E tentava explicar: “Tem algo na maneira como ele fala que leva as pessoas a amá-lo ou odiá-lo. Não poupa nada nem ninguém”. Muito depois que os outros já tinham abandonado os exageros ansiosos da juventude, Vincent ainda seguia essas regras impiedosas. Paixões titânicas, implacáveis, lhe assolavam a vida. “Sou um fanático!”, declarou em 1881. “Sinto um poder dentro de mim… um fogo que não posso apagar e preciso manter aceso.” Fosse catando besouros nas margens dos córregos de Zundert, colecionando e catalogando gravuras, pregando o evangelho cristão, devorando Shakespeare ou Balzac em leituras febris ou praticando interações cromáticas, ele fazia tudo com a obsessão cega e urgente de uma criança. Até o jornal ele lia “num frenesi”.

 

Serviço:

Van Gogh: A Vida

Autores: Steven Naifeh e Gregory White Smith.

Editora: Companhia das Letras.

Páginas: 1128.

Preço: R$ 79,50.

Livro da semana

O caminho musical de Neil Young, por Neil Young…

 

Neil Young foi além da folk music. Seja à frente do importante Buffalo Springfield, ao lado dos parceiros Crosby, Nash e Stills ou dividindo o palco com a potente Crazy Horse – sua ‘banda brother’ –, o músico atravessou gerações, flertou com o rockabilly – e (pasmem!) com o eletrônico – e foi cordial ao celebrar o punk de Johnny Rotten, na canção “Hey Hey, My My”. Resumindo, um simples parágrafo é pouco, muito pouco, para falar sobre a relevância deste gênio da música.

Se nomes como Sonic Youth, Pearl Jam e Renato Russo beberam da fonte Neil Young é porque nela estão discos como Harvest (1972) e Comes A Time (1978), entre muitos outros. Ou seja, não basta ser competente, é preciso ser influente, adjetivo do qual Young é tão merecedor quanto Ingmar Bergman no cinema. Se escrever sobre esse rico legado seria tarefa difícil para um escritor, nada melhor que o próprio cantor narrar as páginas de sua vida.

Na última terça-feira (25), ocorreu o lançamento mundial de Neil Young – A autobiografia, livro assinado pelo músico. Memórias musicais e pessoais, que apontam as paixões e obsessões de um artista inquieto, são os atrativos que certamente irão permitir novos olhares sobre a obra de um dos grandes nomes da música que, para a nossa sorte, segue gravando ótimos discos. Somente neste ano, já foram dois.

 

Serviço:


Neil Young – A autobiografia

Autor:Neil Young. 

Editora:Globo Livros.

Páginas: 408.

Preço:R$ 49,90.

Livro da semana

Páginas sobre o ‘padrinho do soul’

 

 

No universo da criativa e vibrante música soul, James Brown é a entidade máxima a ser respeitada. Sua influência alcançou uma extensa lista de artistas, de Michael Jackson a Red Hot Chili Peppers, passando também por Racionais MC’s e pelo afrobeat do mestre nigeriano Fela Kuti

A carreira influente também divide espaço com o temperamento de um músico polêmico, que coleciona problemas na justiça. Roubos, agressões, supostos casos de assédio sexual e uma eletrizante perseguição de carro, que resultou na prisão do astro, fazem a vida de James Brown ser o roteiro perfeito para um belo filme de ação.

A trajetória do músico agora pode ser conferida nas páginas de “James Brown – Sua vida. Sua música”, biografia do cantor que traz a assinatura do jornalista R. J. Smith, colunista do Village Voice, articulista fixo da revista Spin, e que já escreveu para veículos como The New York Times Magazine e Men’s Vogue.

O livro é resultado de uma ampla pesquisa, que reúne entrevistas e um material inédito descoberto pelo escritor, capaz de narrar os acontecimentos que marcaram a vida do ‘padrinho do soul’ desde sua infância difícil, no estado da Geórgia, até os derradeiros shows interrompidos por seu estado de saúde.

Em “James Brown – Sua vida. Sua música” é possível conhecer um pouco mais sobre o legado de um dos artistas mais influentes de todos os tempos – talvez ao lado de Bob Dylan, Elvis Presley, John Lennon e John Coltrane, entre outros. Sem a presença de James Joseph Brown na música, ficaria difícil imaginar o surgimento de artistas como Janelle Monáe  e Outkast no cenário atual.  

 

 

Serviço:

“James Brown – Sua vida. Sua música”

Autor: R. J. Smith.

Páginas: 632.

Preço (sugerido): R$ 44,90. 

Editora: LeYa.

Resumo musical da semana

Os Hives seguem em frente

Os suecos do grupo garage punk The Hives – que por aqui a gente sempre cita como uma das mais legais que apareceram no início dos anos 2000 – lança no próximo dia 5 de junho o álbum Lex Hives. O primeiro single, “Go Right Ahead”, teve o vídeo oficial divulgado nesta semana. Com direito a câmera gravando imagens diretamente do braço da guitarra e uma sombra sinistra atrás do vocalista Howlin’ Pelle Almqvist, os caras seguem mandando um rockão de primeira.  

 

A volta do CBGB?

De acordo com uma reportagem publicada no conceituado The New York Times, os proprietários da marca CBGB, lendária casa de shows que durante os anos 70 recebeu nomes como Richard Hell, Patti Smith, Blondie, Television, Johnny Thunders e Ramones, estão pensando em reabrir o estabelecimento. O que se sabe até agora é que um show comemorativo irá receber 300 bandas entre 5 e 8 de junho. Dentre os nomes de peso do evento estão Peter Buck (R.E.M) e David Johansen, (New York Dolls). Enquanto o futuro do CBGB é discutido, um dos personagens que circulou lá por um bom tempo, o guitarrista Johnny Ramone, teve sua biografia lançada no Brasil. Commando: the Autobiography of Johnny Ramone, baseada em diversas entrevistas concedidas pelo guitarrista em seus últimos dias, o livro conta a trajetória de Johnny na música, em 176 páginas, recheadas de fotos de arquivo.  

 

Sonzão no Sónar 

O aguardado festival de música Sónar ocorre entre hoje (11) e amanhã (12), em São Paulo. Apesar do cancelamento do show da cantora Björk, o evento ganhou um reforço dos bons, o lendário grupo alemão Kraftwerk , considerado um dos pais da música eletrônica. Apesar do Sónar ser mais voltado a artistas de vertentes eletrônicas, vale destacar também nomes que passeiam por outros estilos musicais, como James Blake, que chega a ter boas referências de jazz. Outro nome que merece atenção é a dupla francesa Justice.

 

Um pé na Jamaica, outro no Brasil

A Folha de S. Paulo publicou em seu site uma entrevista interessante com a cantora Céu nesta semana. Durante a conversa, a moça contou sobre a forte influência que a música jamaicana exerceu em seu trabalho, fator evidente nos três álbuns da cantora. No entanto, Céu também disse que tem ouvido artistas como Black Keys (olha só que legal!), Velvet Underground e Carmem Miranda. Realmente um gosto musical bem apurado. O SESC Belenzinho recebe três shows da cantora, que integram a turnê do ótimo Caravana Sereia Bloom, cujos ingressos estão ESGOTADOS. Pelo Facebook, Céu avisou que novas apresentações em São Paulo serão divulgadas em breve.  

 

O novo vídeo do Howler e as borrifadas de tinta

O grupo-sensação Howler, que recentemente fez um belo show no clube Beco, em São Paulo, lançou nesta semana o vídeo da canção “This One’s Different”. A música integra o disco de estreia da banda, o elogiado America Give Up, muito comparado ao primeiro dos Strokes, Is This It, pela imprensa – embora eu ache que não tem absolutamente nada a ver. Nas imagens, os integrantes do Howler aparecem pintados (borrifados) com tinta vermelha, coisa de adolescente rebelde…

 

Iggy Pop e a gravadora insensível

Procurar e destruir. Esse é o sentimento de Iggy Pop em relação à sua atual gravadora. O álbum Après, que traz cover de Beatles, Frank Sinatra e Serge Gainsbourg foi lançado apenas no site oficial do músico e no iTunes, após uma cruel negativa da atual gravadora, a Virgin EMI. Iggy afirmou ter ficado chateado quando executivos solicitaram que ele fizesse um disco de rock com “pop punks”, algo como: “Oi Papai”, desabafou o cantor ao The Thelegraph. É realmente chato ver um músico com tanta bagagem passar por situações como esta. Aqui no blog Cultura no Prato, a gente sai em defesa do Iggy e publica abaixo o vídeo no qual ele fala sobre como foi interpretar uma canção do mito Gainsbourg.