CCBB SP e CineSesc exibem retrospectiva de Jean-Luc Godard

O Jean-Luc Godard colaborador da revista Cahiers du Cinéma e o Godard que idealizou a nouvelle vague, ao lado de François Truffaut e Claude Chabrol, sobretudo após o lançamento do filme Acossado (1959), é conhecido por boa parte do público admirador do cinema francês. Na mostra Godard Inteiro ou o Mundo em Pedaços, que em outubro chega ao CCBB São Paulo e ao CinceSesc no mês de novembro, entretanto, é possível não apenas conferir os principais filmes do cineasta, como também assistir a longas, médias e curtas-metragens, séries televisivas e até filmes publicitários assinados pelo diretor.

Trata-se de uma mostra que contempla a produção do artista e reúne seus mais de 60 anos de carreira, nas 104 obras de origem francesa, dentre as quais estão duas raridades da filmografia de Godard: uma reconstituição que o diretor elaborou do longa-metragem Salve a vida (quem puder) e um episódio de Seis vezes dois, trabalhos exibidos pouquíssimas vezes e que serão trazidas pelo professor inglês Michael Witt, diretor do centro de pesquisa em filmes e cultura audiovisual da universidade de Roehampton, Londres – autor de Jean-Luc Godard, Cinema Historian (Indiana University Press, 2013) e coeditor de Jean-Luc Godard: Documents (Éditionsdu Centre Pompidou, 2006).

Debates e cursos

Além da exibição dos filmes, no dia 14 de novembro, o CCBB-SP organiza um debate com Ismail Xavier, professor da ECA-USP e professor visitante da Universidade de Nova York (1995), da Universidade de Iowa (1998) e da Université Paris III – Sorbonne Nouvelle (1999), e com o crítico e pesquisador de cinema Luiz Carlos Oliveira Jr., autor do livro A miseenscène no cinema: Do clássico ao cinema de fluxo. Já o CineSesc, em São Paulo, contará com a palestra da francesa Céline Scemama, professora de estética do cinema na Université Paris I – Panthéon Sorbonne e autora de Histoire(s) ducinémade Jean-Luc Godard: la force faible d’un.

A programação ainda oferece, nos dias 5 e 6 de novembro, cursos e palestras com convidados nacionais e internacionais.

Serviço 

Godard por Inteiro ou o Mundo em Pedaços

CCBB-SP

De 21 de outubro a 30 de novembro

Rua Álvares Penteado, 112, Centro – São Paulo

Telefone: 11 3113-3651/3652

Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia)

Godard Inteiro ou o Mundo em Pedaços

CineSesc

De 26 de novembro a 2 de dezembro

Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo

Tel.: 11 3087-0500

Ingressos: R$ 12 (inteira); R$ 6 (+60 anos, estudante e professor da rede pública de ensino); R$ 3,50 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc).

Kandinsky e a importância das rupturas

Na sala que abre a mostra do artista russo Wassily Kandinsky, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, notei a presença de um grupo de alunos do ensino público da cidade acompanhados por uma monitora que lhes explicava parte do acervo exposto. De forma didática, a moça falava sobre o caminho que levou o pintor rumo à abstração e como seus quadros foram rompendo com estruturas imagéticas que remetiam a coisas que poderiam ser identificadas. Olhar uma obra e não necessariamente reconhecê-la no sentido figurativo poderia estimular outras experiências contemplativas, essa foi a lição que os estudantes certamente levaram consigo.

E de fato vivenciar a exposição é notar como Kandinsky desconstruiu o aspecto mimético de sua obra em busca de potencializar outros estímulos sensoriais, como traços, cores e formas. Não à toa o artista era amigo e admirador dos trabalhos do músico austríaco Arnold Schönberg, cuja música também questionou as estruturas da hierarquia tonal (das notas) ao idealizar no campo da música erudita o atonalismo, no qual a organização das notas é independente – ou seja, não há uma nota principal. Inspirado por esse tipo de estrutura, Kandinsky usou inclusive termos como “composição” e “improviso” para batizar alguns de seus quadros.

O que esses artistas do início do século XX propunham, tanto na música como nas artes plásticas, era uma ruptura com as formas antigas de linguagem e suas imposições herméticas e engessadas. E mesmo que nas décadas seguintes esse caráter experimental também tenha se tornado uma regra, como bem observou Theodor W. Adorno em seu ensaio sobre a nova música, a contemporaneidade muitas vezes demanda rompimentos, ou até a necessidade de um simples contraponto.

Se após a explicação da monitora e o contato com o legado de Wassily Kandinsky os alunos aprenderam que as pinturas abstratas são capazes de levar o apreciador a outras formas de contemplação, a lição talvez possa ser estendida a microrrupturas no cotidiano das nossas vidas, como uma simples mudança de trajeto no retorno para casa. O exercício é desafiador.

Serviço:

Kandinsky: tudo começa num ponto

Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo

Até 28 de setembro.

De quarta a segunda, das 9h às 21h.

Informações: site (clique aqui) ou (11) 3113-3651.

CCBB recebe mostra de cinema tcheco

Cena do filme "Viajar para Praia".
Cena do filme “Viajar para Praia”.

A efervescência dos primeiros trabalhos cinematográficos pulsava na Europa do início do século XX. Embora o início da história do cinema nos remeta a países como a França, do brilhante Georges Méliès, nas décadas seguintes – para ser mais preciso a de 1930 – observa-se o surgimento produções de filmes em lugares distintos, entre eles o Leste Europeu. Nele, a República Tcheca possui rico legado, notadamente nos estúdios de Barrandov, em Praga – a chamada “Hollywood Europeia”.

Mas a produção tcheca não se resume ao passado. Resgatar parte da história cinematográfica do país europeu é dialogar com presente, pois o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBBSP) recebe entre os dias 10 e 15 de junho a Mostra de Cinema Tcheco Contemporâneo (vídeo abaixo). O evento é organizado pelo Banco do Brasil e a Embaixada da República Tcheca, e exibirá seis filmes produzidos entre 2011 e 2014. Ou seja, trata-se de um recorte bem contemporâneo.

Os trabalhos que integram a mostra trazem assinaturas de diretores premiados em festivais internacionais, como o longa Lídice, de Petr Nikolaev, sobre a temática da Segunda Guerra Mundial. Em Viajar para a praia, Jiří Mádl propõe uma espécie de metalinguagem, ao mostrar que uma simples câmera nas mãos de um jovem de onze anos é capaz de captar recortes que revelam muitas subjetividades.

Seja pela pouca presença de filmes tchecos em salas brasileiras, ou por conta das premiações que os diretores receberam, a Mostra de Cinema Tcheco Contemporâneo é uma ótima opção de contato com produções que fogem à regra blockbuster. Como sempre lembramos por aqui: assistir a filmes diferentes estimula olhares diversos. E isto possui valor cultural impagável.

Serviço:

Mostra de Cinema Tcheco Contemporâneo

De 10 a 15 de junho – de quarta a segunda.

Entrada Franca: Retirada de senha a partir de uma hora antes da sessão.

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro.

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Lotação: 70 lugares.

Informações:

Fone: (11) 3113-3651.

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Picasso a caminho de “Guernica”

A elaboração de determinada obra de arte passa por um processo criativo que envolve a evocação dos repertórios do artista. Não à toa, para escrever a letra da canção “Desolation Row” o compositor Bob Dylan precisou voltar ao passado para resgatar em sua memória fragmentos de textos literários e bíblicos, que provavelmente leu em algum momento de sua vida. E como o passado diz muito sobre o presente, resgatar lembranças é compreender o agora.

Ao reconstruir a trajetória percorrida pelo espanhol Pablo Picasso (1881-1973), a exposição Picasso e a Modernidade Espanhola – Obras da Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía reúne uma série de criações, esboços e pesquisas que levaram o celebrado artista aos traços lendários do quadro Guernica – que não faz parte da mostra. O quadro denuncia o terror da Guerra Civil Espanhola, conflito citado também na literatura de Ernest Hemingway.

Entre as 90 obras expostas na mostra, destaque para o esboço que originou a cabeça de cavalo pintada em Guernica, cuja construção indica que Picasso buscava algo mais complexo, grandioso. Há também uma seleção de criações de artistas contemporâneos do pintor, que ajudam o público visitante a adentrar o espírito de uma época, pois tais obras são capazes de dizer muito sobre os temas que inspiravam as criações espanholas à época.

Guernica não veio ao CCBB São Paulo – local que abriga a exposição de Picasso –, mas há uma reprodução virtual do quadro que permite ao observador viver experiência similar de contemplação, embora essa reprodutibilidade não seja a mesma abordada por Walter Benjamin em seu famoso texto.

Em Picasso e a Modernidade Espanhola percebemos a importância dos repertórios na criação artística, e que toda a grandeza de Guernica é fruto de um processo criativo com o qual Picasso organizou fragmentos e traços que já vinha trabalhando em outras obras. Eis o convite, para seguir Picasso rumo à Guernica.

Serviço: 

Picasso e a Modernidade Espanhola – Obras da Coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía

Até 8 de junho.

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro.

Contato: (11) 3113-3651/3652 ou ccbbsp@bb.com.br.

De quarta a segunda, das 9h às 21h.

Cinema da Geórgia é tema de mostra no CCBB São Paulo

Cena do filme "Contrição", que integra a  Mostra de Filmes da Geórgia (Foto: Divulgação).
Cena do filme “Contrição”, que integra a Mostra de Filmes da Geórgia (Foto: Divulgação).

Cinco filmes que fazem parte da história da produção cinematográfica georgiana compõem a Mostra de Filmes da Geórgia, evento que ocorre no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB-SP) até o próximo dia 19 de janeiro. A programação, que conta com o apoio da Embaixada da Geórgia, ainda oferece ao público a oportunidade de participar de um debate sobre as cinematografias clássica e contemporânea da Geórgia, com as participações do embaixador Otar Berdzenishvili e da ministra Conselheira Barbare Makharadze, na próxima quinta-feira (15).

As exibições são uma boa oportunidade para entrar em contato com a produção artística de um país localizado na divisa entre Ásia e Europa, que um dia integrou a União Soviética e cuja produção cinematográfica é pouco exibida nas salas de cinema tradicionais do Brasil.

Entre os filmes exibidos na programação estão Pirosmani (1969), A Outra Margem (2009) e Contrição (1986). Para saber mais informações sobre a programação clique aqui.

Um brinde ao underground

O artista Jean-Michel Basquiat, no cartaz do filme “Downtown’81”, que integra a mostra.

A produção cultural-marginal faz um chamado importante aos sedentos por pérolas cinematográficas elaboradas ao final dos anos de 1970, em Nova Iorque, na mostra de filmes Downtown New York, que fica em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo até 15 de dezembro.

A relação de filmes que integra a programação aborda justamente a cena artística underground que posteriormente serviu de alicerce para o surgimento do movimento punk, ou seja, o embrião que deu origem à cultura do “faça você mesmo”. Um universo paralelo ao mainstream, repleto de poetas, cineastas, artistas plásticos e músicos, cujos encontros geralmente ocorriam em clubes e bares que transbordavam uma aura tão boêmia quanto intelectual, cenário que reflete até hoje nas produções alternativas do campo artístico.

Muitas das obras são filmadas com câmeras Super-8, mas não é apenas no aparelho que expressava a produção de uma época que está a importância da mostra. Parte da riqueza de Downtown New York é composta pelos diretores que assinam os filmes, entre os quais vale destacar Amos Poe, Jim Jarmusch e Edo Bertoglio, e os atores que integram os elencos de algumas das produções, como Jean-Michel Basquiat, Debbie Harry, Lydia Lunch e Jack Smith, personagens que circulavam pelo wild side de Nova Iorque – lugar que inspirou muitas das canções do grande Lou Reed. Imperdível.

Serviço:

Pequenas Histórias da Vanguarda: Downtown New York

CCBB São Paulo – clique aqui para conferir a programação.

De 26 de novembro a 15 de dezembro.

Documentário “Nem Sempre Me Vesti Assim” abre projeto de temática árabe

O Instituto da Cultura Árabe (ICArabe) completa 10 anos em 2014 e para celebrar a data promove, a partir de 3 de fevereiro, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP), o projeto Premiere ICArabe. O evento terá produções nacionais inéditas sob a temática árabe, debates com diretores, atores, produtores e estudiosos do tema.

A abertura do projeto será marcada pela exibição do média-metragem nacional Nem Sempre Me Vesti Assim (clique aqui e veja o trailer), dirigido por Betty Martins, que aborda o uso do véu entre mulheres no Reino Unido. Após a sessão, haverá um debate com a cineasta Martins e a antropóloga Francirosy Campos. A produção também será exibida entre os dias 5 e 9 de fevereiro, às 12h30.

O filme aborda as histórias de três mulheres muçulmanas, de diferentes etnias, que vivem no Reino Unido. As trajetórias são amarradas pelo o uso do véu, como um processo íntimo, concedendo a ele uma perspectiva crítica, passando pelas implicações de usá-lo (ou não), que variam de país para país – e de cultura para cultura. As migrações e os eventos históricos revelam agentes transformadores poderosos, que podem mediar os significados dos aspectos culturais.

O documentário visa encontrar alguns destes agentes, por meio de experiências pessoais marcantes, que são responsáveis por determinar o que o véu representa para as personagens do filme, e como é ser uma mulher que o veste. Imperdível.

Serviço:

Premiere ICArabe – exibição do filme “Nem Sempre Me Vesti Assim”, de Betty Martins.

Estreia: dia 3 de fevereiro, às 20h, com debate com a diretora e a antropóloga Francirosy Campos.

Outras exibições: 5 a 9 de fevereiro, às 12h30.

Onde: CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Álvares Penteado, 112, Centro (SP). Telefones: (11) 3113-3651 e 3113-3652. Site: www.bb.com.br/cultura.

Quanto: grátis (é necessário retirar ingresso com até uma hora de antecedência).

Lugares: 70.