O retorno do Hellacopters

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A primeira formação do grupo sueco The Hellacopters se reuniu neste ano para celebrar os vinte anos do álbum Supershitty To The Max (1996), após aposentadoria decretada em 2008. A ideia era uma apresentação no Sweden Rock Festival – que ocorreu no último dia 10 – e o lançamento de um single com as inéditas “My Mephistophelean Creed” e “Don’t Stop Now”, faixas compostas pela banda em 1996.

Mas a formação que conta com Nicke Andersson e Dregen decidiu estender o retorno que teria data para acabar ao confirmar, no último final de semana, que irá substituir o Primal Scream no festival Azkena Rock, na Espanha. O anúncio foi publicado na página do Facebook do grupo sueco e pode também significar uma possível turnê – e quem sabe até um álbum de inéditas, especulam os mais eufóricos.

Nas últimas entrevistas de Andersson, no entanto, o guitarrista afirmou que a reedição da primeira formação do grupo seria apenas comemorativa e passageira, ressaltando que seu principal projeto hoje é o grupo Imperial State Electric, que deve inclusive lançar disco novo neste ano. O fato é que um retorno do Hellacopters ainda é incerto.

Trechos da apresentação da banda no Sweden Rock Festival circularam na web nos últimos dias (vídeo abaixo), o que sem dúvida deixou os fãs do grupo sedentos por mais apresentações. No meu caso, confesso que gostaria de estar na Espanha no próximo final de semana.

 

Sobre o Lollapalooza 2016: e o melhor show foi…

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Yo-Landi, vocalista do Die Antwoord, fez um rolê no Capão Redondo, durante passagem pelo Lollapalooza Brasil. 

É claro que o título é uma zoeira deste que vos escreve, seria injusto apontar um show como sendo “o melhor” de um festival, que de certa forma, foi consideravelmente diverso. Talvez essa seja a grande sacada do evento: reunir Noel Gallagher, Karol Conka e Jack Ü na mesma bagunça.

Dos shows que vi, destaco logo de cara o incrível Bad Religion. Os caras simplesmente fizeram a “apresentação que todo fã gostaria de ver”, numa pegada greatest hits, mas com foco nos clássicos – estavam lá “I Want To Conquer The World”, “You Are (The Government)” e “Punk Rock Song”, apenas. Em seguida, o Tame Impala foi pura psicodelia pop, com direito a muitas cores no telão ao fundo do palco, durante performance que mesclou faixas dos bons Innerspeaker (2010), Lonerism (2012) e Currents (2015).

O Alabama Shakes também merece elogios, a estética sonora alcançada pela banda na gravação de estúdio é (quase) reeditada no palco, sem contar que Brittany Howard é uma das vozes mais belas de nosso tempo. Do lado brasileiro, passaram pelo Lolla dois nomes fundamentais no hip hop de hoje: Karol Conka e Emicida. Enquanto Karol simplesmente divou ao lado de Mc Carol (pensa na lacração!), Emicida fez o público cantar faixas como “Gueto” (pedrada!).

Outro ponto alto foi o Jack Ü (Skrillex e Diplo) e o seu special guest, MC Bin Laden, em meio ao encontro sonoro do funk brasileiro e o trap-dance poderoso dupla de DJs. Mas, após tudo isso, e coloco na lista um Noel Gallagher impecável – tanto no repertório solo quanto no Oasis –, estou há dias pensando no show do Die Antwoord. De fato, Ninja, Yo-Landi Vi$$er e DJ Hi-Tek colocam o rap na fruição dionisíaca das raves. O show do trio pode ser conferido (inteirão) no vídeo abaixo. Boa viagem.

 

Lolla Brasil 2015: uma reflexão

Na plataforma da estação Pinheiros, um mar de rostos joviais aguardava o próximo trem – grande parte do público vinha de metrô, e descia neste ponto para fazer a transferência, cujo destino era a parada Autódromo, em Interlagos. Não era exatamente o trem narrado por Adoniran Barbosa em sua célebre canção, mas caso fosse musicado também renderia alguma letra capaz de fazer menção à boemia, à festa. Festa de grande porte, vale ressaltar, pois o festival de origem internacional Lollapalooza a cada ano parece aumentar – talvez não em público, mas em interesse midiático e repercussão no ambiente digital.

“Olha a capa, olha a capa”, gritavam os vendedores à saída da estação Autódromo, a possibilidade de chuva, que se confirmou somente no domingo, segundo dia de evento, certamente era um bom pretexto para comercializar tal produto (a capinha de chuva). E no caminho da estação ao evento, inúmeras barraquinhas faziam a alegria da moçada, com produtos dos mais variados: camisetas, bonés, bebidas, lanches… Até performances de músicos de rua foram levados ao trajeto que dava acesso ao Lolla.

Embora boa parte das atrações fosse composta por bandas de rock, pertencentes ao chamado “indie rock”, a diversidade musical talvez tenha sido (ou sempre foi) o grande trunfo do Lolla. Bastava uma caminhada para ir do rock ao pop, do eletrônico ao hip-hop. Dolorosa era a decisão de optar por ver determinado artista/banda e, consequentemente, perder o show de outro, pois muitos horários acabaram coincidindo – este que vos escreve, por exemplo, assistiu à metade do show do Jack White, para tentar ver um pouco da apresentação do Major Lazer, do DJ Diplo. Outro ponto importante, que merece uma crítica ao festival, é o valor dos itens (comidinhas e cerveja) comercializados no evento. Achei fora dos padrões, mesmo para a chamada classe média.

Diversidade na música – ponto positivo – mas o mesmo não se viu no que diz respeito ao público, considerando a híbrida cultura brasileira. Fui com um colega uruguaio, e em determinado momento ele virou e disse, assim, na lata: “é incrível como no Brasil, dependendo do lugar onde você está, o número de negros é baixíssimo. Aqui, olhando assim, parece mais a Europa”, refletiu. Esse olhar, aplicado a outros espaços, como shoppings e universidades, por exemplo, mostra o quanto ainda precisamos promover, de fato, inclusão social.

Não sei até onde parte desse processo passa pelo preço dos ingressos, levando em conta que a cultura inevitavelmente está inserida em uma lógica industrial de produção – o que Adorno chamou de indústria cultural, em seu importante estudo elaborado no início do século XIX –, bem como quem neste país tem acesso e quem não tem. Mesmo aproveitando ao máximo os dois dias de evento, confesso que observar as coisas por um olhar um pouco mais crítico (e complexo), como fez meu amigo, é perceber que enquanto uma parte aproveita a festa, bebe e come, a outra, na mesma festa, fica restrita a recolher a sujeira.

Resumo musical

Brandon Flowers vai lançar álbum solo. Ouça o primeiro single!

O líder do Killers Brandon Flowers aproveita as férias de sua banda para… continuar trabalhando. O cantor lança no dia 18 de maio o álbum The Desired Effect, e nesta semana já começou a preparar terreno para a chegada do novo trabalho: gravou um episódio no programa Tonight Show e divulgou na web a faixa “Can’t Deny My Love”, primeiro single do disco. A sonoridade da canção é “uma baladinha à moda Killers” – e não se trata de um problema necessariamente.

Alex e os brothers do Mini Mansions

Curtindo as férias de seu Artic Monkeys pós-turnê AM, cujos últimos shows foram registrados aqui em solo latino-americano no ano passado, Alex Turner participou recentemente da canção “Vertigo”, do grupo Mini Mansions, que conta com Michael Shuman, do Queens of the Stone Age na formação. A faixa integra o disco The Great Pretenders, lançado nesta semana juntamente com o clipe da boa “Vertigo” – e o Alex está lá, claro, com os brothers.

Outra do Blur. É do disco novo, tá?

O grande Blur lança em 28 de abril o álbum The Magic Whip – o primeiro desde 2003, ou seja, faz tempo. Nesta semana o grupo de Damon Albarn liberou para audição outra faixa que irá compor o novo trabalho da banda, a canção “Lonesome Street”, música que remete aos bons tempos de Parklife (eu achei!), discão lançado em 1994.

Jack e Robert

Atrações do Lollapalooza Brasil (que ocorre neste final de semana, yeah!), Robert Plant e Jack White dividiram o palco no Lolla dos nuestros hermanos argentinos, no último final de semana. Durante a apresentação do guitarrista ex-White Stripes, Plant foi convidado a acompanhar Jack em uma belíssima versão para “The Lemon Song”, canção do Led Zeppelin de… Robert Plant (haha!). Será que aqui no Brasil vai rolar parceria também?

Major Lazer anuncia próximo álbum, e tem clipe novo também!

O ótimo Major Lazer, projeto idealizado pelo DJ e produtor Diplo – na minha opinião, uma das atrações mais legais do nosso Lolla –, prepara o lançamento de seu próximo álbum, Peace Is the Mission, que assim como os trabalhos anteriores do Major também irá contar com participações especiais. O primeiro fragmento sonoro do disco, a faixa “Lean On”, tem colaboração de ninguém menos que a cantora MØ e o DJ Snake. Apenas. A canção ganhou inclusive um vídeo, divulgado nesta semana, com direito a dança (zoada) do Diplo – música que certamente irá rolar no show do Major Lazer do próximo sábado, em Sampa.

Resumo musical

GZA, Tom Morello e o Roots, juntos, apenas  

O programa do apresentador Jimmy Fallon foi novamente palco de um encontro musical épico. Nesta semana, o eterno integrante do Wu-Tang Clan, GZA, o guitarrista Tom Morello e os brothers do The Roots se uniram para uma belíssima versão para “The Mexican”, faixa oficialmente lançada pelo Babe Ruth em 1972. A releitura, inclusive, foi lançada como single por GZA e Morello.

Kanye West divulga versão definitiva de “All Day”

As radios norte-americanas Power 106 e Hot 97 divulgaram nesta semana a versão de estúdio de “All Day”, canção que irá integrar o próximo (e aguardado) álbum do rapper Kanye West. Segundo a Rolling Stone gringa, confirmando boatos que já circulavam na web, ao final da canção há assobios gravados por Paul McCartney. Apenas. Ouve lá, e tenta identificar (haha).

Courtney Barnett, leva a gente passear com você!

A competente cantora Courtney Barnett divulgou nesta semana o vídeo da faixa “Depreston”, que irá integrar o primeiro disco da artista, Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit, previsto para ser lançado ao final de março. A simplicidade do vídeo – três telas simultâneas exibem imagens de um passeio de carro – destoa da beleza da faixa, de sonoridade mais cadenciada e perfeita para musicar um road movie qualquer. Aguardamos a Courtney Barnett aqui no Brasil. Urgentemente.

St. Vincent do bate-papo com o Andy Gill ao pocket show na revista “Q”

A St. Vincent é uma das principais atrações do Lollapalooza deste ano. Se você vai ao evento, não perca do show dela, trata-se de um dos nomes mais criativos da música atual. Nesta semana ela gravou um pocket show para a revista britânica Q – no vídeo abaixo é possível conferir trecho no qual ela toca a faixa “Birth in Reverse”, de seu último disco. A artista participou também recentemente de uma conversa com o ícone Andy Gill, do grupo Gang of Four, em um podcast postado na plataforma SoundCloudclique aqui e confira.

Chromatics divulga faixa de novo disco

O Chromatics divulgou nesta semana a faixa “I Can Never Be Myself When You’re Around”, que irá integrar o próximo disco do grupo, Dear Tommy – ainda sem data de lançamento. A canção mostra que a banda segue fazendo bom uso da receita sonora que mescla dance music, pop e indie.

Resumo musical

Wu-Tang Clan lança disco novo hoje!

O grupo de rap Wu-Tang Clan lança nesta segunda-feira o álbum A Better Tomorrow. A banda já havia divulgado as inéditas “Ron O’Neal”, “Keep Watch”, “Ruckus in B Minor” e “Necklace”, que irão compor o novo trabalho, e na última semana a faixa-título também vazou na web. Com uma bela levada jazzística de piano, “A Better Tomorrow” mostra o lado mais soul do Wu-Tang Clan.

O Interpol e uma inédita lado b

O Intermpol do vocalista Paul Banks, atração confirmada do nosso Lollapalooza, lançou na última semana o single “Everything Is Wrong”, cuja capa é assinada pelo artista Shepard Fairey. O lado b do single é a inédita “What Is What”, que pode ser baixada no site do Interpol – digite “Everything Is Wrong” que automaticamente você terá acesso ao download das canções.

Um filminho sobre os Libertines

O diretor Roger Sargent assina mais um documentário sobre o grupo britânico The Libertines, uma das sensações inglesas dos anos 2000, que desde a sua separação vive o impasse “volta ou não volta”. Na última semana, Sargent divulgou outro minidocumentário sobre a banda, com diversas imagens de bastidores e vídeos raros que estavam guardados nos arquivos do cineasta. Recentemente, em entrevista à NME, Carl Barât afirmou que possui cinco canções novas escritas em parceria com o correligionário Pete Doherty e há rumores de um possível show do grupo no Glastonbury 2015. Será?

Bastille vs Haim?

As meninas do Haim e os brothers do Bastille divulgaram na última semana a parceria entre as bandas na faixa “Bite Down”. Os dizeres do cartaz de divulgação do single alertam para o confronto musical “Bastille vs Haim”, e a canção irá compor a mixtape de nome esquisito VS (Other People’s Heartache Pt. III), prevista para chegar às lojas em 10 de dezembro. O Bastille é uma das bandas que vêm ao Brasil no Lollapalooza 2015.

Cat Power, antes de passar por São Paulo, tocou uma inédita em Istambul  

A dobradinha Cat Power ocorrida em Sampa, no último final de semana, durante o Popload Festival 2014, deu o que falar. Ela fez uma apresentação surpresa na estação de metrô Paraíso, se desentendeu com parte da plateia no primeiro show (muito punk rock!) e exibiu a barriguinha de futura mamãe (ela está grávida!). Mas antes de pisar em solo brasileiro, entretanto, a queridíssima Chan tocou uma faixa inédita durante um show na Turquia. O nome da canção ainda é um mistério, mas como infelizmente este que vos escreve não foi aos shows dela em Sampa, resta saber se a tal faixa rolou por aqui. Alguém aí que foi, por favor, nos informe (hehe). Para conferir a música inédita, via Pitchfork, clique aqui.

Resumo musical

Sky Ferreira toca canção do Hole

A cantora Sky Ferreira se apresentou na última semana no Belasco Theater, em Los Angeles. O show foi marcado por algumas canções inéditas e também pela participação do namorado da moça, Zachary Cole Smith (DIIV), durante a cover de “Asking for It” (vídeo abaixo), da banda Hole. Em entrevista recente à revista Billboard, Sky Ferreira disse que está trabalhando com Bobby Gillespie (Primal Scream), e um timaço de produtores, na elaboração de um novo material. Vamos aguardar.

Jack White presta homenagem à tecladista Isaiah Ikey Owens

Atualmente em turnê do ótimo Lazaretto, que em 2015 irá passar pelo Lollapalooza Brasil, Jack White se apresentou na última semana em Londres. Na ocasião, ao final do show que encerrava sua passagem por solo londrino, Jack prestou homenagem ao tecladista Isaiah “Ikey” Owens, integrante de sua banda, que faleceu tragicamente em outubro após sofrer um ataque cardíaco durante a ida do grupo ao México. Owens também chegou a tocar com o grupo The Mars Volta.

Outra inédita do Smashing Pumpkings

Billy Corgan está empenhado no retorno do Smashing Pumpkins. O grupo lança o álbum Monuments To An Elegy em 9 de dezembro e na última semana Corgan divulgou outra faixa que irá integrar o novo trabalho, a canção “Tiberius”. Assim como escrevi sobre “Being Beige”, divulgada há duas semanas e outra que deve constar no disco de inéditas, achei “Tiberius” bem interessante, ela relembra inclusive bons momentos dos Pumpkins. Por falar em Billy Corgan, recentemente ele dividiu o palco com Peter Hook, durante a cover de “Love Will Tear Us Apart” (Joy Division) – confira no site da NME. Seria ótimo se ela entrasse no setlist do show do nosso Lolla (hehe).

Alison Mosshart na trilha de The Walking Dead

No episódio “Consumed”, da (incrível) série The Walking Dead – que vai ao ar aos domingos pela AMC norte-americana e para nós, via FOX, às terças-feiras –, a canção “Bad Blood” integrou a trilha sonora. A faixa é uma parceria da cantora Alison Mosshart (Kills, The Dead Weather) com o músico Eric Arjes, e vazou na íntegra no YouTube na última semana. Lindona.

O retorno do Ride. Queremos o Ride no Brasil, já!

O Ride é uma banda alternativa inglesa que você precisa ouvir. Ponto. Os caras estão paradas há um tempão e na última semana oficializaram o retorno da banda para uma apresentação especialíssima no Primavera Sound – e em outros eventos musicais europeus. Aproveito para pedir humildemente que alguém traga essa banda para o Brasil no próximo ano. A seguir a ótima (de nome, letra e melodia) “Twisterella”.