O Nobel de Bob Dylan, o texto ampliado

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O fato de Bob Dylan vencer o Prêmio Nobel de Literatura 2016 ultrapassa a discussão do prêmio em si. A escolha de um músico traz à tona a abrangência do que pode ser considerado texto, e neste caso nos deparamos com questões como movência, oralidade e poética, conceitos que emanam na obra do artista acionando percepções e leituras dos textos na cultura.

Menção a uma colega de rede social, que resgatou um belo artigo da pesquisadora e professora da PUC Jerusa Pires Ferreira, a respeito da obra de Paul Zumthor, logo que o prêmio concedido a Dylan foi anunciado. A obra do autor propõe o transbordamento da ideia fechada do texto em seu formato escrito, como escreve Jerusa: “A noção de movência do texto oral, a ênfase na transmissão da força energética e teatralizante que ele assumiu como ‘performance’, no sentido bem definido de ‘texto em presença’, e a ampliação do próprio conceito de texto e de literatura foram indispensáveis para se pensar nas poéticas da voz” – confira o artigo completo aqui.

Inúmeras canções de Bob Dylan materializam essa ideia ampliada de literatura. Na poética dos versos e na densa intertextualidade o músico fez emergir textos da substância de sua obra. Por esse motivo poetas, músicos e acadêmicos dedicados à música celebram a escolha do Prêmio Nobel de Literatura 2016, uma vez que o texto possui variadas formas dentro das relações humanas.

A seguir selecionei a faixa “Desolation Row”, do álbum Highway 61 Revisited (1965), que demonstra como a música também pode ser considerada literatura.

 

 

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Resumo musical

Bob Dylan divulga faixa de novo álbum

O lendário – e longe de estar combalido musicalmente – Bob Dylan lança em fevereiro o álbum Shadows in the Night, disco no qual o cantor resgata algumas faixas que ficaram famosas na voz de Frank Sinatra. Nesta semana o músico divulgou a canção “Stay With Me”, que irá integrar o novo trabalho, e também concedeu uma entrevista à revista AARP the Magazine. Sobre Sinatra, Dylan afirmou que: “people talk about Frank all the time. He had this ability to get inside of the song in a sort of a conversational way. Frank sang to you — not at you”.

O novo vídeo do Vaccines

O Vaccines tem trabalhado em seu terceiro álbum de estúdio, ainda sem título, embora alguns nomes tenham circulado no cenário midiático. No início desta semana, o grupo liderado por Justin Young divulgou o vídeo de seu novo single, a faixa “Handsome”. Com uma narrativa que remete à ficção, o tom divertido do clipe ilustra uma proposta sonora enérgica, com traços de rock de garagem e com acordes básicos ao estilo Ramones.

Karen O e o clima “Nouvelle Vague”

O álbum Crush Songs, lançado pela genial Karen O no último ano, ganhou mais um videoclipe que dialoga com sua proposta intimista. A faixa escolhida desta vez é a belíssima “Day Go By”, e a direção do vídeo traz assinatura da dupla de cineastas Vanessa Hollander e Wilson Philippe, que para elaborar o clipe usou imagens de casais adolescentes num “clima Nouvelle Vague” cheio de imagens de romances veraneios – desses que a gente não esquece jamais. Lindeza pura.

O Belle and Sebastian vai ao Conan e toca a bela “Nobody’s Empire”

Com o lançamento do álbum Girls in Peacetime Want to Dance, o Belle and Sebastian deu início a sua mais nova turnê. Nesta semana, o grupo escocês visitou o programa do apresentador Conan O’Brian, e na ocasião tocou a bela “Nobody’s Empire” – uma das faixas mais bonitas do último disco do Belle and Sebastian, clique aqui e confira. Será que o Brasil estará na rota de shows dos escoceses? Aguardemos.

O vídeo cheio de referência do Jon Spencer Blues Explosion

Vídeos que fazem menção a ícones da cultura pop sempre despertam curiosidade, tanto pela riqueza dos signos postos em jogo como também por despertarem no espectador a vontade de identificar as figuras que muitas vezes parecem estar ocultas. A banda de garagem Jon Spencer Blues Explosion lança em 24 de março seu próximo disco, o álbum Freedom Tower – No Wave Dance Party 2015. Nesta semana, o grupo divulgou o primeiro single do novo trabalho, a faixa “Do the Get Down”, um rock funkeado de aura underground, que ganhou um vídeo cheio de fragmentos que fazem referência a clássicos da cultura pop – como o filme Taxi Driver (1976), o grupo punk Ramones e os rappers do Public Enemy, entre outras relíquias.

Encontro entre Beatles e Bob Dylan completa 50 anos

Lennon (esquerda) conversa com Bob Dylan, durante o lendário encontro entro o cantor norte-americano e os Beatles, em 1964.

Foi num quarto do hotel Delmonico, localizado na Park Avenue, em Nova Iorque, onde os Beatles e o cantor Bob Dylan se encontraram pela primeira vez, há exatos 50 anos. À época, o grupo de Liverpool colhia os frutos da beatlemania impulsionada pelos primeiros álbuns do grupo, compostos basicamente por canções de rock que falavam de amor com guitarras à moda Chuck Berry – embora a fórmula de sucesso pareça superficial, amos essa fase deles.

Dizem que foi no encontro com Bob Dylan que os Beatles experimentaram maconha pela primeira vez, pelo menos, é o que relatam grande parte das biografias do grupo inglês. Deixando a erva de lado, o que importa é que o bate-papo com o cantor norte-americano mexeu com o som dos Beatles, não de imediato, e não só por conta dessa conversa, mas o amadurecimento do grupo a partir do disco Rubber Soul (1965) traz reflexos desse contato. Percebe-se, principalmente nas canções compostas por Lennon na segunda metade da década de 1960, uma abordagem bem mais engajada.

Claro que os Beatles sofreram outras influências, como a psicodelia na qual muitas bandas e artistas buscaram inspiração no final dos anos 60, período em que um tal Jimi Hendrix mergulhava em experimentos sonoros que esgotaram as possibilidades da guitarra elétrica.  O que o encontro histórico entre Beatles e Bob Dylan deixa como reflexão casos parecidos também estimularam mudanças na sonoridade artistas importantes.

Outros exemplos

Quando no final da década de 1970 o Clash vai aos Estados Unidos para divulgar o álbum London Calling (1979), o grupo entra em contato com o hip-hop (e outros ritmos), que emanava dos guetos, e esse contato (vídeo abaixo) determinou os rumos do próximo disco da banda de punk rock, o híbrido Sandinista! (1980). Outro exemplo é o encontro entre David Bowie e Iggy Pop. Bowie nunca escondeu que uma de suas fases mais criativas, na qual o músico se denominava Ziggy Stardust, foi inspirada no vocalista dos Stooges. O que dizer então da sonoridade mais sombria que o Arctic Monkeys adquiriu após o álbum Humbug (2009) ter sido produzido por Josh Homme (Queens of the Stone Age)? Não foi coincidência.

O que mais me fascina na música – e nas artes em geral – é a sua capacidade de ser um processo criativo coletivo, fruto de uma mescla de experiências capaz de gerar novas formas e possibilidades de criação.

 

Resumo musical

Mia desconstrói canção Beyoncé em remix

Uma das grandes sacadas das remixagens é o poder que este recurso possui em desconstruir e reeditar, com uma nova roupagem sonora, uma canção. A ótima M.I.A levou esse conceito ao patamar do acerto ao elaborar uma grande versão remix para  “Flawless”, da cantora Beyoncé. A valorização das batidas deu peso à música, que foi rebatizada de “Baddygirl 2″, com direito a alteração em partes-chave da letra, como no verso acrescentado: “men and women are 50/50″. Genial. O remix elaborado pela M.I.A está disponível para audição na plataforma Soundcloud.

 

Blondie completa 40 anos de carreira

Completar 40 anos não é para qualquer banda. Lançar discos como Blondie (1976), Plastic Letters (1977) e Parallel Lines (1978) também não. Por estes e outros motivos é que a banda norte-americana Blondie precisa ser celebrada. Nos últimos dias, a lendária banda tem feito diversas apresentações para comemorar o tempo de estrada e também para promover o lançamento do box Blondie 4(0) Ever, material que reúne a coletânea Hits: Deluxe Redux e o álbum de inéditas Ghosts of Download (clique aqui e ouça!). Nesta semana o Blondie foi ao programa The Daily Show e, entre as canções tocadas, mandaram a inédita “Sugar on the Side” – que na versão de estúdio conta com a participação de Beth Ditto. Parabéns ao Blondie!

 

Chvrches libera show realizado em Londres na web

A banda Chvrches tem sido destacada neste blog, principalmente após o lançamento do álbum de estreia do trio electro-indie, The Bones of What You Believe. O disco recentemente ganhou uma nova versão, com algumas remixagens, entre elas das canções “Gun”, “The Mother We Share” e “Recover”. Nesta semana o grupo formado por Iain Cook, Martin Doherty e Lauren Mayberry divulgou na web o show na íntegra, realizado pela banda em Londres, no mês de março. Clique aqui e assista à apresentação. Sinceramente, acho que já demorou para algum festival trazê-los ao Brasil.

 

Em vídeo, Morrissey pomove novo álbum de maneira poética

Após divulgar a arte da capa de seu próximo álbum World Peace Is None of Your Business (what a name, Moz!), uma das mais legais dos últimos anos, devo admitir, o incrível Morrissey divulgou nesta semana um vídeo no qual promove o lançamento de seu novo disco. Nas imagens, Moz faz uma leitura poética da letra de uma das faixas, ao piano, e em seguida recebe das mãos de Nancy Sinatra a suposta carta com a letra da canção. É o Morrissey flertando com a poesia.

 

Bob Dylan divulga nova canção

O lendário Bob Dylan divulgou nesta semana, por meio de sua página na web, uma versão para a canção “Full Moon And Empty Arms”, de Buddy Kaye e Ted Mossman, mas que ficou famosa na voz de Frank Sinatra. Nesta leitura, Dylan propõe uma sonoridade mais calma, que dialoga com o grande Sinatra, um pouco diferente de seus trabalhos mais focados no folk e no blues-rock, com os quais estamos acostumados. Concomitante à divulgação da faixa, o cantor também anunciou que lançará um álbum neste ano.

Resumo musical

Arctic Monkeys divulga lado B de “Do I Wanna Know?”, a galáctica “2013”

O Arctica Monkeys segue mostrando que é uma das bandas mais criativas de hoje – e produtivas também. Há poucas semanas o grupo divulgou a faixa “Do I Wanna Know?”, que tem presença garantida do próximo álbum dos Monkeys, AM (que chega às lojas em 10 de setembro). Hoje foi a vez de “2013” ganhar espaço na imprensa especializada em música. A canção será lançada no próximo dia 22, como lado B da ótima “Do I Wanna Know?” – que além de integrar o AM também sai no formato single. Apesar de trazer o riff característico dos últimos trabalhos da banda, essa “2013” soa mais como uma espécie de balada galáctica. Vale a pena viajar ao som dela.

 

Pearl Jam volta aos palcos, lança single e evoca o Clash

O Pearl Jam lançou na última semana a punk (e boa) “Mind Your Manners”, primeiro single do próximo álbum da banda, Lightning Bolt. O novo trabalho deve chegar às lojas em 15 de outubro e nesta semana Eddie Vedder e sua turma voltaram aos palcos ao estilo Pearl Jam, ou seja, como gente (banda) grande. Durante uma apresentação no Canadá, o grupo prestou homenagem ao grande Clash, ao tocar um trecho do hino-punk “London Calling”. Não foi a primeira vez que a banda de Eddie Vedder fez um cover do Clash, “Know Your Rights” e canções da fase solo do Joe Strummer já haviam rolado em outras ocasiões. São fatos como este que fazem a gente gostar ainda mais do Pearl Jam, não é mesmo?

 

Novidade do Smashing Pumpkins? Só o lançamento do material ao vivo “Oceania: Live in NYC”

O Billy Corgan não anda lá muito inspirado atualmente. Mas, para os fãs mais eufóricos do grupo Smashing Pumpkins, eis que surge um consolo. No próximo dia 3 de setembro a banda lança, em áudio e vídeo, o show gravado no Barclays Center, no Brooklyn. O material, cujo título é Oceania: Live in NYC, será composto pelo show completo, mais galeria de fotos e também entrevistas – para a versão em vídeo, lógico. O vídeo a seguir mostra a faixa “Cherub Rock”, tocada pelo grupo durante a apresentação que será lançada em breve.

 

Bob Dylan: da jam com o Wilco ao trailer de “Bootleg Series Volume 10.”

O gênio Bob Dylan divulgou nesta semana o trailer do documentário Another Self Portrait (1969 – 1971), que inclui entrevistas com os músicos Al Kooper e David Bromberg. Ambos tocaram nas sessões do lendário álbum Self Portrait, bem como nos vídeos de “Went To See The Gypsy”, “Pretty Saro”, “Tell Old Bill”, “Time Passes Slowly” e “When I Paint My Masterpiece”. Enquanto novidades sobre o filme são aguardadas, Dylan surpreendeu ao convidar os vocalistas Jeff Tweedy, do Wilco, e Jim James, do My Morning Jacket, para dividir o palco com ele, durante um show em Toronto, ocorrido na última segunda-feira (15). Para conferir a jam, clique aqui, já o trailer de Another Self Portrait (1969 – 1971) você confere a seguir.

 

Uma atitude digna do “Boss” Bruce Springsteen

“I want to send this one out as a letter back home. For justice for Trayvon Martin” (Quero enviar esta canção como uma carta de volta para casa. Pela justiça de Trayvon Martin), foi a frase dita por Bruce Springsteen, no último dia 16 de julho, durante uma apresentação do “Boss” no Thomond Park, em Limerick. A menção é sobre o caso do rapaz  Trayvon Martin, supostamente morto por causa de racismo em 2012. O acusado, George Zimmerman, foi considerado inocente há poucos dias, fato que gerou uma enorme polêmica. O Cultura no Prato concorda com a postura do “Boss”.  

Resumo musical da semana

Bob Dylan e sua turma

O gênio Bob Dylan divulgou nesta semana o vídeo do primeiro single de seu novo disco, a faixa “Duquesne Whistle”. O álbum “Tempest” está previsto para chegar às lojas em 11 de setembro.  Nas imagens, Bob Dylan caminha sossegado ao lado de uma turma sinistra, enquanto um casal vive um dia ‘meio agitado’.

 

Jamaica chamando!

Um dos grupos mais importantes (e fundamentais) da terra do rei do Bob Marley, os Skatalites irão se apresentar em São Paulo no próximo domingo (2). O grupo internacionalizou o ska – ritmo que no final dos anos 70 influenciou as bandas britânicas Madness e Specials – e se tornou um verdadeiro patrimônio cultural da Jamaica. A abertura fica por conta da banda BNegão & Seletores de Frequência, que recentemente lançou o ótimo Sintoniza Lá. O show irá ocorrer no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha – telefone: 3984-2466). O mais legal é que você não irá pagar nada para conferir as atrações. Vai vendo. 

 

No Doubt versão DJ Diplo

O No Doubt divulgou nesta semana a faixa “Push and Shove”, produzida pelo DJ norte-americano Diplo. A canção, que dará nome ao próximo álbum do grupo, previsto para chegar às lojas em 25 de setembro, foi tocada pela primeira vez na Ryan Seacrest’s radio. Apesar de ter uma pegada bem ‘moderninha’, os integrantes do No Doubt afirmaram que as principais influências do grupo continuam sendo ritmos como ska, reggae e bandas inglesas dos anos 80. Vamos aguardar para saber se essas referências estarão no álbum Push and Shove.

 

Os 18 singles do Peppers

O grupo californiano Red Hot Chili Peppers se prepara para lançar 18 singles (isso mesmo) nos próximos seis meses. A bateria de canções novas começou nesta semana, com a divulgação das faixas “Magpie’s On Fire” (vídeo abaixo) e “Victorian Machinery”. Todas as canções que integram “os 18 singles” foram gravadas em 2011, durante sessões de estúdio. Atualmente o grupo segue trabalhando em um novo material que deve integrar o próximo álbum dos Peppers.

 

Trash Talk na (insana) gravadora Odd Future Records

O grupo californiano de punk-hardcore Trash Talk, que agora integra o time de artistas da gravadora Odd Future Records – cujo integrante mais ilustre é o doidão Tyler, the Creator –, divulgou nesta semana o single “F.E.B.N.” (sigla de “Forward Ever, Backwards Never”), que irá compor o próximo álbum da banda, chamado 119,com data de lançamento prevista para 9 de outubro. Sobre o som, um hardcore clássico digno de referências como Black Flag e Agnostic Front. Vai encarar?

Livro da semana

A balada do gênio folk/rock

 

Na verdade não é uma balada, mas um livro (acho que estou sem criatividade para escrever títulos). Quem achava que após o elogiado No Direction Home, assinado por Robert Shelton, Bob Dylan não ganharia outra biografia se enganou. Um dos principais nomes do folk/rock de todos os tempos é tema do recém-lançado A Balada de Bob Dylan – Um Retrato Musical, do autor Daniel Epstein.

A ‘pegada’ do escritor nesta obra ocorre da seguinte maneira: Epstein se baseou em quatro shows fundamentais – em 1963, 1974, 1997 e 2009 – para traçar as etapas pelas quais Dylan se reinventou, inovou e, enfim, mostrou por que é Bob Dylan. Além disso, existe a preocupação de analisar os discos essenciais do músico, passando também por características do cantor – como a personalidade forte deste gênio-chato que veneramos.  

Vale lembrar também que no dia 11 de setembro Dylan lançará seu novo álbum, Tempest, que vai celebrar o aniversário de 50 anos do primeiro disco do músico, Bob Dylan (1962). Dois lançamentos para você mergulhar no universo deste importante artista.

 

Serviço:

A Balada de Bob Dylan – Um Retrato Musical

Autor: Daniel Mark Epstein. 

Editora: Jorge Zahar.  

Páginas: 524.

Preço: R$ 47,90.