Mostra Internacional tem Jim Jarmusch, títulos premiados e documentários

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A Mostra Internacional de Cinema chega à sua 40ª edição em São Paulo e este que vos fala não poderia deixar de destacar um dos aspectos marcantes do evento: a diversidade. Entre os destaques, menção ao diretor Jim Jarmusch, cuja obra Estranhos no ParaísoStranger than Paradise –, clássico do cinema independente, será exibida em três sessões.

Jarmusch é um dos principais representantes do cinema alternativo norte-americano, e desde os anos 1980 assina filmes de baixíssimo orçamento – um de seus trabalhos mais recentes é Gimme Danger, sobre o grupo Iggy and the Stooges. No filme Estranhos no Paraíso – vídeo abaixo –, Willie (John Lurie) é um imigrante húngaro que vive em Nova York e recebe a visita inesperada de sua prima Eva (Eszter Balint), trabalho que recebeu um prêmio especial concedido pelo júri do Festival Sundance.

Premiados

Outra parte importante da mostra traz títulos premiados, a exemplo de Morte em Sarajevo (Danis Tanović), vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Berlim; Sem Deus (Ralitza Petrova), melhor filme do Festival de Locarno; Radio Dreams (Babak Jalali), melhor longa-metragem em Roterdã; Todas Essas Noites sem Dormir (Michal Marczak), melhor direção de documentário em Sundance; e Animais Noturnos (Tom Ford), Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.

Refugiados

Tema recorrente na mídia, mas na maioria das vezes apenas abordado de forma superficial (ou pior, como parte de um espetáculo cheio de estereótipos), o refúgio é a inspiração do documentário brasileiro Exodus – De Onde Eu Vim Não Existe Mais, sobre o drama de refugiados no mundo. A obra é escrita e dirigida por Hank Levine (Lixo Extraordinário), produzida por Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e tem narração de Wagner Moura.

Programação imperdível.

São Paulo recebe mostra de filmes sobre hip hop

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Cena do filme “Awesome, I Fuckin’ Shot That!”, de Nathaniel Hörnblowér, que mostra uma fomosa apresentação do grupo Beastie Boys, ocorrida em janeiro de 2006

O hip hop e sua codificação contra-hegemônica compartilha com outros ritmos marginais (punk, dub e funk) os signos de alteridade e rebeldia. Por isso, mesmo quando inserido à lógica do consumo da indústria fonográfica, estabelece diferenciações em relação à linguagem da música massiva. Não à toa, outras fragmentações no campo da luta social articulam suas mensagens no campo dos DJs, rimas e samples: a exemplo de rappers LGBTs e feministas, que somam forças à temática do movimento negro, geralmente associado ao rap.

A Mostra de Filmes Hip Hop chega à sua 3ª edição neste mês e ocorre de 28 de setembro a 4 de outubro, no Cinesesc, em São Paulo, com programação que terá homenagem ao premiado diretor Bobbito Garcia, um dos expoentes do hip hop de Nova York. As exibições reúnem longas e curtas, ficções e documentários, divididos nos programas: Old School, Raiz de Rua, DJ, Original Gangsta e Obra Inacabada – entrada gratuita.

O vídeo abaixo mostra o trailer do filme Pixadores, de Amir Escandari, trabalho que integra a mostra.

Serviço:

Terceira Mostra de Filmes hip hop

De 28/09 a 04/10

CineSesc (Rua Augusta, 2.075)

Grátis (Retirada de ingressos 1h antes)

Facebook: https://www.facebook.com/MostraFilmesHipHop/

Instagram: https://www.instagram.com/MostraFilmesHipHop/

 

CCBB SP e CineSesc exibem retrospectiva de Jean-Luc Godard

O Jean-Luc Godard colaborador da revista Cahiers du Cinéma e o Godard que idealizou a nouvelle vague, ao lado de François Truffaut e Claude Chabrol, sobretudo após o lançamento do filme Acossado (1959), é conhecido por boa parte do público admirador do cinema francês. Na mostra Godard Inteiro ou o Mundo em Pedaços, que em outubro chega ao CCBB São Paulo e ao CinceSesc no mês de novembro, entretanto, é possível não apenas conferir os principais filmes do cineasta, como também assistir a longas, médias e curtas-metragens, séries televisivas e até filmes publicitários assinados pelo diretor.

Trata-se de uma mostra que contempla a produção do artista e reúne seus mais de 60 anos de carreira, nas 104 obras de origem francesa, dentre as quais estão duas raridades da filmografia de Godard: uma reconstituição que o diretor elaborou do longa-metragem Salve a vida (quem puder) e um episódio de Seis vezes dois, trabalhos exibidos pouquíssimas vezes e que serão trazidas pelo professor inglês Michael Witt, diretor do centro de pesquisa em filmes e cultura audiovisual da universidade de Roehampton, Londres – autor de Jean-Luc Godard, Cinema Historian (Indiana University Press, 2013) e coeditor de Jean-Luc Godard: Documents (Éditionsdu Centre Pompidou, 2006).

Debates e cursos

Além da exibição dos filmes, no dia 14 de novembro, o CCBB-SP organiza um debate com Ismail Xavier, professor da ECA-USP e professor visitante da Universidade de Nova York (1995), da Universidade de Iowa (1998) e da Université Paris III – Sorbonne Nouvelle (1999), e com o crítico e pesquisador de cinema Luiz Carlos Oliveira Jr., autor do livro A miseenscène no cinema: Do clássico ao cinema de fluxo. Já o CineSesc, em São Paulo, contará com a palestra da francesa Céline Scemama, professora de estética do cinema na Université Paris I – Panthéon Sorbonne e autora de Histoire(s) ducinémade Jean-Luc Godard: la force faible d’un.

A programação ainda oferece, nos dias 5 e 6 de novembro, cursos e palestras com convidados nacionais e internacionais.

Serviço 

Godard por Inteiro ou o Mundo em Pedaços

CCBB-SP

De 21 de outubro a 30 de novembro

Rua Álvares Penteado, 112, Centro – São Paulo

Telefone: 11 3113-3651/3652

Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia)

Godard Inteiro ou o Mundo em Pedaços

CineSesc

De 26 de novembro a 2 de dezembro

Rua Augusta, 2075, Cerqueira César – São Paulo

Tel.: 11 3087-0500

Ingressos: R$ 12 (inteira); R$ 6 (+60 anos, estudante e professor da rede pública de ensino); R$ 3,50 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc).

Matilha Cultural recebe mostra sobre segurança pública e violência

Em uma metrópole como São Paulo, a complexidade dos diferentes contextos sociais talvez impeça parte da população de perceber os reais números da violência. Dependendo do local de onde se observa, sobretudo se esses espaços forem cercados por muros e câmeras, a sensação de estabilidade pode enganar, e muito. A leitura do Mapa da Violência de 2012, por exemplo, mostra que dos 56 mil assassinatos registrados no país, 30 mil foram de jovens de 15 a 29 anos, entre os quais 77% eram negros. Triste.

Como a relação entre criações artísticas e contextos sociais se entrelaçam – e a arte é também uma forma de protesto e conscientização –, o espaço Matilha Cultural recebe, a partir de hoje, a mostra Setembro Verde: Jovem Negro Vivo, parceria com a Anistia Internacional. A programação conta com exposição visual, ciclo de debates e exibição de filmes, cujo objetivo é alertar as pessoas sobre os altos índices de homicídios na cidade – e reforçar o “diga não à execução”, como o cartaz destacado pelo rapper Emicida, na foto que abre este texto.

Além disso, o evento joga luz sobre a parcela desses crimes que é cometida pela Polícia Militar. De acordo com dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o número de pessoas mortas por policiais no estado aumentou 105% entre 2013 e 2014, saltando de 346 para 708 óbitos. Somente no primeiro semestre de 2015, o mesmo estudo mostra que 358 pessoas foram mortas pela polícia, um aumento de 9,8% comparado ao mesmo período de 2014. Vale lembrar também que a investigação sobre a vergonhosa chacina ocorrida em Osasco e Barueri segue a passos lentos no estado de São Paulo – e tampouco tem gerado cobertura midiática séria.

“A crença de que vivemos uma ‘guerra às drogas’ e que matar ‘traficantes’ faz parte desse combate tem sido usada como justificativa para uma polícia que faz uso excessivo, desnecessário e arbitrário da força, com frequência inaceitável da força letal. Nessa dinâmica, o grupo social mais atingido é o de jovens negros moradores de favelas e periferias”, explica Atila Roque, Diretor Executivo da Anistia Internacional. Por esses e outros motivos, a programação do evento exibe os filmes O Estopim, de Rodrigo Mac Niven, sobre o desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza na Rocinha; À Queima Roupa, de Theresa Jeussouroun, que aborda a violência e a corrupção policial praticadas no Rio de Janeiro nos últimos 20 anos; Sem Pena, de Eugenio Puppo, que narra a precária vida nas prisões do país; e o lançamento do videoclipe “Heroínas e Heróis”, parceria entre o rapper GOG e o Projetonave.

Serviço:

Setembro Verde: Jovem Negro Vivo 

De 22 de setembro a 22 de outubro

Mostra, debates e filmes são gratuitos.

Happy Hours: Entrada colaborativa de R$ 5.

Debates e filmes sujeitos à lotação do espaço (68 lugares; 2 cadeirantes).

Horários de funcionamento: terça-feira a domingo, da 12h às 20h; exceto sábados, das 14h às 20h
Endereço: R. Rêgo Freitas, 542 – República

Tel.: (11) 3256-2636
Para consultar a programação, clique aqui.

Festival INDIE exibe filmes de 20 países no CineSesc São Paulo

Cena do filme “Conhecendo o grande mundo”, da diretora Kira Muratova.

A mostra internacional de cinema INDIE reúne 45 obras, de 20 países, entre os dias 16 (hoje!) e 30 de setembro no Cine Sesc São Paulo. A programação, idealizada pela Zeta Filmes e o Sesc, conta com trabalhos do cenário contemporâneo, no qual surgem novos diretores, com os lançamentos que serão trazidos a São Paulo, mas o evento também exibe clássicos e presta homenagens.

Entre as novas produções estão 25 filmes, de 16 países, entre os quais muitos vêm direto do Festival de Cannes, como Cemitério do esplendor, de Apichatpong Weerasethakul. A mostra ainda traz os longas estonianos Na ventania de Martti Helde e Paisagem com várias luas, ambos de Jaan Toomik. O cinema japonês será representado pelas obras dos diretores Sogo Ishii, É isso, e Nobuhiro Yamashita, La la la at Rock Bottom, além do documentário de Erik Shirai, O nascimento do saquê. Destaque também para filmes dos consagrados Jem Cohen, Alain Cavalier, Hong Sang-Soo, Larry Clark, Peter Van Houten e Wang Bing.

Retrospectivas

O festival INDIE deste ano terá duas retrospectivas inéditas no Brasil, que prestam homenagens a dois diretores nascidos na antiga União Soviética: Kira Muratova e Sharunas Bartas. Ambos estudaram na lendária VGIK – Instituto Estadual de Cinematografia da União Soviética, em Moscou. Kira Muratova é a cineasta viva mais importante de período soviético e pós-soviético e terá onze de seus filmes exibidos na programação. Já do premiado lituano Sharunas Bartas será relembrado com oito longas, inclusive seu último Paz para nós em nossos sonhos, lançado no Festival de Cannes.

Serviço:

Festival INDIE

De 16 a 30 de setembro

Local: CineSESC (www.sescsp.org.br)

Rua Augusta, 2075 / Cerqueira César

Tel.: 3087.0500 / http://www.indiefestival.com.br (confira a programação)

Ingressos: R$12 (inteira), R$6 (meia), R$3,50 (credencial plena SESC)

CCBB recebe mostra de cinema tcheco

Cena do filme "Viajar para Praia".
Cena do filme “Viajar para Praia”.

A efervescência dos primeiros trabalhos cinematográficos pulsava na Europa do início do século XX. Embora o início da história do cinema nos remeta a países como a França, do brilhante Georges Méliès, nas décadas seguintes – para ser mais preciso a de 1930 – observa-se o surgimento produções de filmes em lugares distintos, entre eles o Leste Europeu. Nele, a República Tcheca possui rico legado, notadamente nos estúdios de Barrandov, em Praga – a chamada “Hollywood Europeia”.

Mas a produção tcheca não se resume ao passado. Resgatar parte da história cinematográfica do país europeu é dialogar com presente, pois o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBBSP) recebe entre os dias 10 e 15 de junho a Mostra de Cinema Tcheco Contemporâneo (vídeo abaixo). O evento é organizado pelo Banco do Brasil e a Embaixada da República Tcheca, e exibirá seis filmes produzidos entre 2011 e 2014. Ou seja, trata-se de um recorte bem contemporâneo.

Os trabalhos que integram a mostra trazem assinaturas de diretores premiados em festivais internacionais, como o longa Lídice, de Petr Nikolaev, sobre a temática da Segunda Guerra Mundial. Em Viajar para a praia, Jiří Mádl propõe uma espécie de metalinguagem, ao mostrar que uma simples câmera nas mãos de um jovem de onze anos é capaz de captar recortes que revelam muitas subjetividades.

Seja pela pouca presença de filmes tchecos em salas brasileiras, ou por conta das premiações que os diretores receberam, a Mostra de Cinema Tcheco Contemporâneo é uma ótima opção de contato com produções que fogem à regra blockbuster. Como sempre lembramos por aqui: assistir a filmes diferentes estimula olhares diversos. E isto possui valor cultural impagável.

Serviço:

Mostra de Cinema Tcheco Contemporâneo

De 10 a 15 de junho – de quarta a segunda.

Entrada Franca: Retirada de senha a partir de uma hora antes da sessão.

Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo.

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro.

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

Lotação: 70 lugares.

Informações:

Fone: (11) 3113-3651.

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Cinemateca exibe clássicos do movimento Cinema Novo

Cena do filme “Esse mundo é meu”, de Sérgio Ricardo.

A ideia por trás do chamado Cinema Novo, manifestação artística ocorrida no cinema nacional em meados da década de 1950, dialoga, em alguns aspectos, com a temática do punk: do it yourself. Para grande parte dos cineastas desse grupo, não era necessário contar com investimentos milionários para elaborar um filme, o que importava era o conceito. E a abordagem destoava do mainstream – algo entre o neorrealismo italiano e a Nouvelle Vague francesa.

Sabe-se que o Cinema Novo teve dois períodos, o primeiro ao final dos anos 50 e outro entre 1964 e 1968, momento em que o país já vivia a ditadura militar. Obras de ambas as fases desse importante movimento serão exibidas na Retrospectiva Cinema Novo, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, até 14 de junho. Entre os destaques estão trabalhos assinados por Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade e Antonio Carlos Fontoura, entre outros.

Nesta semana, a programação exibe a nova cópia, em 35mm, do filme Esse mundo é meu, do diretor Sérgio Ricardo. Com o ator Antonio Pitanga no elenco, a cópia rara que será exibida na Cinemateca recebeu ajustes técnicos especialmente para integrar a mostra. Ou seja, imperdível.

Serviço:

Retrospectiva Cinema Novo

Cinemateca Brasileira

Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino, São Paulo.

Informações: (11) 3512-6111 ou contato@cinemateca.org.br.