São Paulo recebe mostra de filmes sobre hip hop

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Cena do filme “Awesome, I Fuckin’ Shot That!”, de Nathaniel Hörnblowér, que mostra uma fomosa apresentação do grupo Beastie Boys, ocorrida em janeiro de 2006

O hip hop e sua codificação contra-hegemônica compartilha com outros ritmos marginais (punk, dub e funk) os signos de alteridade e rebeldia. Por isso, mesmo quando inserido à lógica do consumo da indústria fonográfica, estabelece diferenciações em relação à linguagem da música massiva. Não à toa, outras fragmentações no campo da luta social articulam suas mensagens no campo dos DJs, rimas e samples: a exemplo de rappers LGBTs e feministas, que somam forças à temática do movimento negro, geralmente associado ao rap.

A Mostra de Filmes Hip Hop chega à sua 3ª edição neste mês e ocorre de 28 de setembro a 4 de outubro, no Cinesesc, em São Paulo, com programação que terá homenagem ao premiado diretor Bobbito Garcia, um dos expoentes do hip hop de Nova York. As exibições reúnem longas e curtas, ficções e documentários, divididos nos programas: Old School, Raiz de Rua, DJ, Original Gangsta e Obra Inacabada – entrada gratuita.

O vídeo abaixo mostra o trailer do filme Pixadores, de Amir Escandari, trabalho que integra a mostra.

Serviço:

Terceira Mostra de Filmes hip hop

De 28/09 a 04/10

CineSesc (Rua Augusta, 2.075)

Grátis (Retirada de ingressos 1h antes)

Facebook: https://www.facebook.com/MostraFilmesHipHop/

Instagram: https://www.instagram.com/MostraFilmesHipHop/

 

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Tradição e tecnologia de batuques e beats no trio Frevotron

A tensão entre a tradição e o moderno é recorrente na música – e em outros desdobramentos culturais – sobretudo após os processos de desterritorialização que reforçaram (e reforçam!) as misturas. Pois fenômenos constantemente aderem a movimentos que absorvem elementos externos, ultrapassando fronteiras. O uno torna-se múltiplos e o efeito rizoma gera diversas conexões, como observaram Gilles Deleuze e Félix Guattari.

O Frevotron, projeto idealizado pelos magos Spok, Yuri Queiroga e DJ Dolores, recontextualiza o frevo por meio de uma construção sonora que embriaga o ritmo pernambucano a partir de variados encontros musicais. Se, por um lado mestre Spok já vinha retrabalhando o frevo com seu saxofone à frente do Spok Frevo Orquestra, o contato com a guitarra de Yuri Queiroga e os beats e samples do DJ Dolores estabelece um aspecto movediço ao trabalho, que faz definições rítmicas escaparem ao menor sinal de enquadramento.

Entretanto, tradição e tecnologia não desaparecem com a mistura, ou seja, o frevo está lá, bem como a música eletrônica, o rock, a percussão que remete a brasilidades diversas e até o dub. Em “Frevo Escroço”, faixa cantada por Otto, é como se a atmosfera das festas de rua de Pernambuco encontrasse as raves organizadas em galpões underground. Mas talvez o traço mais perceptível de desterritorialização seja a ótima “Diáspora”, que abre em meio a um clima roqueiro para em seguida ser conduzida por beats aos hibridismos de um frevo renascido da mistura. A capa do álbum (imagem que abre este texto), aliás, evoca a indefinição estética do híbrido.

O álbum de estreia do Frevotron ainda conta com as participações de Jorge Du Peixe, Lira, MC Sombra, a cantora francesa Marion Lemonnier e Jam da Silva. Na plataforma Soundcloud é possível ouvir e baixar o disco. E na próxima semana o trio se apresenta no Sesc Pompeia – mais informações na imagem abaixo, sampleada da postagem feita pelo Frevotron no Facebook.

Festival INDIE exibe filmes de 20 países no CineSesc São Paulo

Cena do filme “Conhecendo o grande mundo”, da diretora Kira Muratova.

A mostra internacional de cinema INDIE reúne 45 obras, de 20 países, entre os dias 16 (hoje!) e 30 de setembro no Cine Sesc São Paulo. A programação, idealizada pela Zeta Filmes e o Sesc, conta com trabalhos do cenário contemporâneo, no qual surgem novos diretores, com os lançamentos que serão trazidos a São Paulo, mas o evento também exibe clássicos e presta homenagens.

Entre as novas produções estão 25 filmes, de 16 países, entre os quais muitos vêm direto do Festival de Cannes, como Cemitério do esplendor, de Apichatpong Weerasethakul. A mostra ainda traz os longas estonianos Na ventania de Martti Helde e Paisagem com várias luas, ambos de Jaan Toomik. O cinema japonês será representado pelas obras dos diretores Sogo Ishii, É isso, e Nobuhiro Yamashita, La la la at Rock Bottom, além do documentário de Erik Shirai, O nascimento do saquê. Destaque também para filmes dos consagrados Jem Cohen, Alain Cavalier, Hong Sang-Soo, Larry Clark, Peter Van Houten e Wang Bing.

Retrospectivas

O festival INDIE deste ano terá duas retrospectivas inéditas no Brasil, que prestam homenagens a dois diretores nascidos na antiga União Soviética: Kira Muratova e Sharunas Bartas. Ambos estudaram na lendária VGIK – Instituto Estadual de Cinematografia da União Soviética, em Moscou. Kira Muratova é a cineasta viva mais importante de período soviético e pós-soviético e terá onze de seus filmes exibidos na programação. Já do premiado lituano Sharunas Bartas será relembrado com oito longas, inclusive seu último Paz para nós em nossos sonhos, lançado no Festival de Cannes.

Serviço:

Festival INDIE

De 16 a 30 de setembro

Local: CineSESC (www.sescsp.org.br)

Rua Augusta, 2075 / Cerqueira César

Tel.: 3087.0500 / http://www.indiefestival.com.br (confira a programação)

Ingressos: R$12 (inteira), R$6 (meia), R$3,50 (credencial plena SESC)

KL Jay e Projeto Coisa Fina: diversidade musical à brasileira

(Imagem publicada pelo Projeto Coisa Fina no perfil da banda no Facebook)

Conhecido principalmente por pilotar as pickups do grupo paulistano de rap Racionais MC’s, o DJ KL Jay se apresentou ao lado da banda instrumental Projeto Coisa Fina, na última sexta-feira (1), na Praça de Eventos do Sesc Vila Mariana. O encontro de músicos que misturam ritmos brasileiros e jazz com um DJ revela, entre outros aspectos, que na contemporaneidade o toca-discos duplo e o mixer também são instrumentos.

Não bastasse as misturas já conhecidas da música popular brasileira, desde o tropicalismo até o movimento manguebeat dos anos 90, a experiência sonora da apresentação ocorrida no Sesc mostra que diversidade musical possui ilimitadas variações.  No vídeo abaixo, por exemplo, KL Jay conversa com os instrumentos de sopro, cordas e percussão manipulando samples (como o da canção “Ela Partiu”, do ícone soul Tim Maia). Sem contar os scratches, intervenções sagradas dos DJs da cultura hip hop.

Esse hibridismo musical vai além da mistura de ritmos, pois evoca também a temporalidade ao trazer a voz de Tim Maia para dialogar com músicos de hoje. E fazer referências a outros artistas é uma prática que perpassa todos os campos das artes – um bom exemplo são os filmes do diretor Quentin Tarantino. Afinal de contas, o que seria de nós sem os nossos repertórios culturais.

Resumo muiscal

Best Coast inaugura fase “sujinha”

A Califórnia está chamando. O ótimo duo Best Coast (liderado por Bethany Cosentino e Bobb Bruno) lança no próximo dia 4 de maio o álbum California Nights, cujas faixas “California Nights” e “Heaven Sent” já foram divulgadas – e elogiadas neste blog. Nesta semana, o Best Coast divulgou o vídeo da faixa “Heaven Sent”, veloz e com uma pegada punk californiano cheia de belos riffs de guitarra, o que mostra uma fase mais “sujinha” na sonoridade do Best Coast. E isto é um elogio, ok?

Palma Violets e o novo hino-rock-britânico “English Tongue”

Quando o Palma Violets emergiu do cenário britânico com a canção “Best of Friends”, pensei: eis outro hino roqueiro da Inglaterra. A boa música integrou o também bom disco 180 – os caras fizeram um show bem interessante por aqui também, no extinto festival Planeta Terra. O tempo passou e a banda prepara o lançamento do álbum Danger in the Club (gostei do nome!), previsto para chegar ao mercado no dia 4 de maio. A primeira mostra do novo trabalho do Palma Violets, a faixa-título do disco, já havia deixado boa impressão, mas “English Tongue”, divulgada nesta semana, é forte candidata a ser outro belo hino do rock britânico. Confira.

Vaccines divulga vídeo de “Dream Lover”

O Vaccines lança em 25 de maio o álbum English Graffiti. Após divulgar nas últimas semanas o primeiro single do novo disco, “Handsome”, o grupo mostrou ao público, via BBC Radio One, a faixa “Dream Lover” – que inclusive ganhou vídeo. Trata-se de uma combinação imagem-som de uma espécie de celebração dos anos 80, ou seja, o clipe é baseado nas ficções futuristas da época e a sonoridade remete à canção “It’s My Life”, do Talk Talk.

Cidadão Instigado prepara novo álbum, shows de lançamento acontecem em Sampa

A banda liderada pelo competente Fernando Catatau (guitarra e voz), Cidadão Instigado, lança nos próximos dias o álbum Fortaleza. O novo trabalho do grupo terá doze faixas e em breve será disponibilizado para download na página da banda no Facebook. Os primeiros shows da nova turnê ocorrem no aconchegante Sesc Pompeia, nos dias 9 e 10 de abril, em São Paulo. No vídeo abaixo, é possível dar uma conferida em um dos ensaios de gravação do novo disco do Cidadão, cujo clima parece ser dos melhores – vem coisa boa aí.

E tem Animação do Major Lazer. Sério!

Projeto que já tem data para sair da gaveta é a animação do Major Lazer – sim, o desenho do guerrilheiro armado com um lazer que ilustra boa parte dos clipes do Major do DJ Diplo. Entre os convidados especiais que participam da empreitada estão ninguém menos que Ezra Koenig (Vampire Weekend) e Cat Power, a estreia ocorre no dia 16 de abril, no canal FXX. Confira um dos trailers abaixo. Incrível.

Recado aos leitores: a partir da próxima semana não irei mais postar o “resumão da semana”. Seguirei falando muito sobre música, o forte deste blog, mas a ideia é fragmentar mais as abordagens e assuntos por aqui. Inovar é preciso, como diria o poeta.

O universo performático de Marina

Tirar o público da chamada “zona de conforto”, provocar e gerar sensações diversas são aspectos que constantemente vão sendo reconfigurados no campo das artes, sempre que um artista elabora algo desafiador, fruto de um olhar intuitivamente aguçado pela inquietude – e às vezes por obsessões. A sérvia Marina Abramovic, conhecida por suas conceituais performances, talvez seja um dos nomes mais relevantes de nosso tempo, no que diz respeito a esse quesito.

Uma robusta exposição da artista chega ao galpão do Sesc Pompeia no próximo dia 11 de março, intitulada Terra Comunal – Marina Abramović + MAI. A mostra é dividida em duas partes, com destaque para a que exibirá as instalações “The House with the Ocean View”, “The Artist is Present” e “512 Hours”. Marina ainda participa de encontros – nos dias 11 e 26 de março e 1°, 2, 8, 15, 22 e 30 de abril – com o público, uma oportunidade valiosa para compreender o universo intenso e performático da artista sérvia.

Ao aguçar os sentidos do público durante suas performances, como na incrível “The Artist is Present”, na qual Marina, em uma cadeira, trocava olhares com os visitantes sentados à sua frente, a artista mostra que o conceito da obra é que deve ser sentido pelo apreciador, e interpretado de diversas maneiras. Até mesmo por análises poluídas pelo teor ideológico (e paranoico), capazes de enxergar desafetos políticos em paredes grafitadas.

Serviço:

Terra Comunal – Marina Abramović + MAI

De 11 de março a 10 de maio.

Onde: Sesc Pompeia.

Rua Clélia, 93, Água Branca.

Informações: (11) 3871-7700 ou http://www.sescsp.org.br/unidades/11_POMPEIA/.

Terças, Quartas, Quintas e Sextas-feiras das 10h às 21h.

Domingos das 10h às 18h.

Convergência de linguagens marca show do duo Tetine em São Paulo

O duo de música eletrônica Tetine trouxe ao Sesc Vila Mariana, na última quinta-feira (17), o show de divulgação do álbum In Loveland With You – trabalho lançado pela dupla em abril deste ano. Com uma carreira que começou na cena underground-eletrônica de São Paulo, na segunda metade da década de 90, Bruno Verner e Eliete Mejorado deixam fluir em seu som traços que ligam a música alternativa paulistana e a cena eletropop de Londres, cidade onde vivem hoje.

Esse hibridismo que é capaz de mesclar diferentes estilos musicais, como música eletrônica, punk e funk, também é percebido na performance gerada por meio da confluência de linguagens artísticas que une vídeo, dança e música (construída pela combinação piano, baixo, sintetizadores e samples). Tais aspectos sugerem que o Tetine seja melhor compreendido como um projeto artístico – no lugar do termo banda.

Em In Loveland With You, embora o uso de elementos eletrônicos seja o principal recurso de composição, a inserção de trechos de piano e violão, além de vocais que em alguns momentos soam como poemas recitados – como na ótima “Burning Land” –, propõe um disco que se expressa pela mescla criativa. Quem foi ao Sesc Vila Mariana ontem, ainda conferiu faixas de outros trabalhos da dupla, como “L.I.C.K My Favela” e “Voodoo Dance”. Grande noite.