QOTSA: um minuto de “garage punk”

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O Queens of the Stone Age lança no dia 25 de agosto o álbum Villains e o grupo de Josh Homme divulgou ontem o teaser com um trecho da faixa “Here. We. Come.” (vídeo abaixo), deixando à mostra um minuto de garage punk.

O aspecto que marca o porvir sonoro do QOTSA é o encontro de Dead Kennedys com garage 60, no estilo “banda de porão” que enfrenta o mainstream com distorção e rapidez. Vem coisa boa aí.

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Gorillaz: o experimental, o real, o virtual

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O grupo Gorillaz, liderado pelo combativo Damon Albarn, lançou neste ano o álbum Humanz e desembarca na América do Sul em dezembro para o Bue Festival (Argentina). Na última semana, uma apresentação da banda ocorrida na cidade de Colônia (Alemanha) vazou na íntegra na web, deixando pistas da turnê que vem ao território latino-americano em breve.

A virtualidade do grupo traz uma série de questões acerca das relações banda/público e estúdio/show. Se no âmbito virtual das telas e/ou armazenamento fonográfico o Gorillaz é composto por integrantes-animação, no palco Albarn e companhia se apresentam como músicos reais, enquanto paradoxalmente os desenhos emergem no telão para estabelecer o jogo imagético dos tempos de imagem-valor.

Musicalmente o som do Gorillaz combina dance, hip hop e indie. No entanto, no show os recursos sintéticos do estúdio que reduzem a presença de vozes e instrumentos tocados dão lugar a uma banda robusta, com quatro backing vocals, baixo, guitarra, bateria, teclado e piano. O desencaixe e combinações não-lineares entre o acústico e o eletrônico são as grandes sacadas do grupo. Ainda há fôlego para participações especiais, como a de Jehnny Beth, do incrível Savages, em “We Got the Power”. Baita show.

Adriano Cintra divulga demo com 13 faixas

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Foto: reprodução do perfil do artista no Facebook.

O músico e produtor Adriano Cintra divulgou nesta semana uma demo com 13 faixas, na sua página do Facebook. O trabalho reúne canções que mesclam boas referências acumuladas ao longo da trajetória de Adriano. Em “Backfiring”, por exemplo, há boas doses de New Order, enquanto “Sometimes You Just Do” remete à sua antiga banda Cansei de Ser Sexy – grupo que surgiu em um dos períodos mais interessantes do underground de São Paulo. Enfim, temos aí boas doses de pop, anos 80 e electro rock.

2017 Demos é fruto de um período de 24 dias de gravação, que segundo o próprio músico refletem a imersão do artista em seu próprio tempo criativo. Ao postar o link na rede social, Adriano escreveu o seguinte “Em 24 dias eu compus/fiz as demos dessas 13 músicas. Tem mais uma que só vai pro ‘disco’ que vai estar logo mais nos streamings de suas preferências. Amanhã vai pra mixagem, só assim pra eu parar. Teve uma hora que eu achei que ia fazer um disco duplo mas daí eu fui ouvir uns discos duplos e sei lá, achei meio vyagy

PJ Harvey e sua geopolítica sônica

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A cantora britânica PJ Harvey tem inserido nos seus últimos trabalhos temáticas geopolíticas de forma poética, enfrentando assim o contexto pop meramente comercial. À semelhança de outros artistas, que em tempos distintos aderiram a questões políticas, PJ tenta contrapor, por meio da linguagem, um momento em que a barbárie adentra o senso comum como poder disciplinar. Brecht certa vez mencionou, no auge do fascismo na Europa, que vivia tempos em que era preciso defender o óbvio, tamanha a ignorância de quem se rendia ao discurso do autoritarismo.

Em seu novo single, “The Camp”, PJ Harvey narra a jornada de crianças deslocadas com suas famílias à região de Vale do Beca, no Líbano, parceria artística com o fotógrafo Giles Duley – são dele as imagens que ilustram o ótimo vídeo da faixa. Os vocais são divididos com o músico egípcio Ramy Essam.

Muitos sentidos emanam de “The Camp”, e talvez o mais significativo aos tempos atuais seja o fato de a cantora jogar luz sobre uma realidade que nos permite questionar o “progresso capitalista”. A parceria com Essam, por sua vez, atravessa fronteiras geográficas e delimitações culturais, para colocar a canção como potência de alteridade.

Em tempo:

Como parte da série UNESCO Grandes Mulheres da História Africana, caiu nas redes hoje o livro digital Njinga a Mbande: Rainha do Ndongo e do Matamba (para baixar clique aqui), mulher marcante na história de Angola do século XVII. O material ainda reúne um riquíssimo trecho pedagógico para professores levarem a temática às aulas. Imperdível.

Songhoy Blues lança “Résistance” em junho

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Foto: Africa Express

Na mão contrária da homogeneizante indústria fonográfica, o quarteto malinês Songhoy Blues segue propondo novas sensações sonoras. O grupo lança seu próximo álbum, Résistance, no dia 16 de junho, e dá sequência ao caminho de alteridade no cenário musical, aberto pelo disco de estreia Music in Exile (2015).

A presença da banda nos espaços midiáticos dos mais variados tipos – streaming, tevês, rádios, redes sociais, festivais etc. –, é experiência outra de fruição, que geralmente o chamado ocidente, viciado em produções norte-americanas e europeias, ignora. A primeira amostra desse novo trabalho é a funkeada “Bamako”, homenagem à capital do Mali, onde tudo começou.

O funk, entretanto, é apenas um dos elementos usados na linguagem, uma vez que a letra cantada em dialeto songai, as menções ao desert blues e a produção de Neil Comber (que já trabalhou com a M.I.A., apenas) colocam diferentes textos no mesmo espaço. Não há preocupação em pertencer a um enquadramento específico, mas o que importa é valorizar os movimentos.

Em tempo: Résistance ainda conta com as participações de Elf Kid e (do gênio imortal) Iggy Pop.

O track list de Résistance:

  1. “Voter”
  2. “Bamako”
  3. “Sahara” (featuring Iggy Pop)
  4. “Yersi Yadda”
  5. “Hometown”
  6. “Badji”
  7. “Dabari”
  8. “Ici Bas”
  9. “Ir Ma Sobay”
  10. “Mali Nord” (featuring Elf Kid)
  11. “Alhakou”
  12. “One Colour”

Alma jamaicana

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Cedric Myton (foto) e Ken Boothe estão tramando. Os lendários músicos (magos) jamaicanos trabalham juntos no álbum Soul Of Jamaica, produção que será lançada em 17 de março e vai reunir releituras de diversos clássicos da Jamaica, faixas que compõem o chamado rocksteady – termo usado para classificar o reggae em seus primeiros anos.

Gravado em uma região montanhosa de Trench Town, o disco vai reunir veteranos de Kingston e artistas contemporâneos, todos nascidos na efervescente terra do reggae, do ska e do dub, entre outras vertentes. Kiddus I é um dos jedis que participam do projeto. Em entrevista recente ao Guardian, ele destacou o processo analógico de gravação ao qual será submetido Soul Of Jamaica – os jamaicanos, aliás, são pioneiros em uma série de mixagens e técnicas que originaram o hip hop e a música eletrônica. Negar o digital, para esses veteranos, é resistência minoritária.

Já sobre as canções que entram no disco, destaque para duas preciosidades capazes de reforçar a importância do reggae na música produzida no último século, as faixas “Youth Man” (da antiga banda Congos, de Myton) e “Artibella” (Boothe). Ambas as releituras são importantes para jogar luz sobre uma questão importante: há diversos artistas interessantíssimos na Jamaica, além de Marley.

Com exceção de alguns polos nacionais importantes, a exemplo de São Luís (Maranhão), não é muito comum o consumo da música jamaicana que foge do eixo Wailers-Marley-Tosh (e eles são geniais, minha crítica é que precisamos olhar a riqueza de outras produções jamaicanas). E é justamente esse aspecto de ampliação de horizonte que faz de Soul Of Jamaica um belo convite para adentrar o universo enfumaçado de Kingston.

Blondie divulga faixa com participação de Johnny Marr

O lendário Blondie lança o álbum Pollinator no dia 5 de maio. O disco reúne algumas participações interessantes como Sia, Charli XCX, o guitarrista Nick Valensi (Strokes) e Dev Hynes, mas é na presença de Johnny Marr (Smiths), na canção “My Monster”, que o significado pós-punk/new wave é reforçado na linguagem.

Pollinator funciona como rearticulação da memória musical do próprio Blondie, uma vez que outras faixas divulgadas do trabalho resgatam o clima de obras clássicas como Parallel Lines (1978). Por esse motivo, contar com os acordes de Marr é reafirmar a ideia de que o Blondie dos tempos de CBGB não está confinado ao passado ou nos suportes de áudio. Não à toa, na turnê que irá passar pelo Reino Unido o grupo de Debbie Harry se apresenta no Roundhouse – casa de shows que já recebeu Patti Smith e Clash.

Pollinator mantém também diálogo estético com a música recente, ao contar com a guitarra de Nick Valensi, por exemplo. O grupo de Valensi, aliás, foi diretamente influenciado pelo Blondie, sobretudo no ótimo Is This It (2001). Esse aspecto joga com significações temporais e demonstra que a banda norte-americana não está preocupada com cristalizações, mas disposta a reaproveitar textos do passado e da música contemporânea.