Festival INDIE reúne filmes alternativos em Sampa

Cena do filme "Adeus Verão", de Koji Fukada, que integra o festival.
Cena do filme “Adeus Verão”, de Koji Fukada, que integra o festival (crédito: Divulgação).

O festival INDIE 2014 chega a São Paulo, no próximo dia 17 de setembro, e vai oferecer ao público a oportunidade de entrar em contato com produções cinematográficas paralelas ao tradicional mainstream. Sendo assim, deixe o cinema-padrão-blockbuster um pouco de lado e preste atenção na programação deste ano, que está muito legal – sem contar que assistir a uma grande variedade de filmes faz bem.

O festival ocorre no CineSESC, na região da Augusta, em meio ao rico cenário cultural da cidade. Entre os destaques da programação está o filme-cult Nick Cave – 20.000 Dias na Terra (vídeo abaixo), produção que narra o cotidiano e também o processo criativo do soturno e genial Nick Cave. Ainda na temática musical, o documentário A cantora punk (2014) aborda a trajetória da lendária Kathleen Hanna, cantora punk e feminista que fez história no underground roqueiro à frente do incrível Bikini Kill.

As opções são muitas, tem cinema argentino que foi destaque no Festival de Locarno, trabalhos de diretores japoneses como Meu Homem, de Kazuyoshi Kumakiri, e O sétimo código, de Kiyoshi Kurosawa, além da exibição de A grande farsa do rock and roll (1980), dirigido por Julien Temple, sobre o pilar do punk rock britânico Sex Pistols. A programação completa pode ser conferida no site do evento (clique aqui e veja).

Serviço:

INDIE 2014 em SÃO PAULO

De 17 de setembro a 1º de outubro.

Abertura: 17 de setembro

Local: CineSESC – www.sescsp.org.br.

Rua Augusta, 2075 – Cerqueira César.

Telefone: 3087-0500.

ENTRADA FRANCA (ingressos disponíveis nas bilheterias do cinema 1 hora antes de cada sessão).

 

O dia em que Chuck Berry analisou o punk rock

 

Uma das grandes virtudes do Facebook (e das redes sociais, de maneira geral) é que por meio dele às vezes temos acesso a informações que dificilmente teríamos em outros ambientes digitais. Pois bem, na última semana, enquanto gastava minutos ociosos visualizando a tal rede, eis que observo um link postado por uma amiga, que trazia um post do blog Music Ruined My Life, cujo texto resgatava uma entrevista concedida por Chuck Berry a um fanzine punk chamado Jet Lag!, em 1980.

A genial pauta – deixo aqui meus parabéns ao autor (ou autora) do texto – sugeria que o lendário guitarrista, e um dos precursores do rock, fizesse uma análise de algumas faixas de bandas clássicas de punk rock. Na relação de grupos a serem analisados por Chuck Berry estava a tríade máxima do punk: The Clash, Sex Pistols e Ramones – pelo menos entre os grupos surgidos após 1975, estes são os mais relevantes.

É impagável ler comentários de um artista cujos riffs de guitarra estão presentes em grande parte das composições punk, principalmente nos primeiros trabalhos dos grupos surgidos no chamado “punk 77”. Mesmo que o movimento punk tenha proposto um rompimento com o rock mainstream (à época o heavy metal e o rock progressivo), ele sempre fez uma alusão direta a uma volta ao básico, em outras palavras ao rock dos anos de 1950.

Abaixo você confere as duas páginas da matéria, que traz também uma entrevista na qual o lendário roqueiro fala sobre sua carreira. Repare que, durante a audição das faixas, ele tece elogios à sonoridade dos Pistols e do Clash, mas estranha a raiva dos vocais (haha). Já o contato com o som do Joy Division, outra banda analisada, faz Berry dizer: “souds like an old blues jam”. Uma entrevista deste porte eu não poderia deixar de compartilhar aqui no blog.

 

Resumo musical da semana

Cat Power agora é loira… E eletrônica

Tudo bem, tudo bem… Já falamos aqui no blog que a Cat Power flertou com a música eletrônica e compôs o ótimo disco Sun. Maaaas, a novidade agora é o cabelo da moça – e o vídeo novo, claro. O teaser que deixou os fás curiosos, divulgado na última semana, era um trecho do clipe da canção “Cherokee”, que teve sua estreia oficial na última segunda-feira (17). Apesar de bizarro, o vídeo mostra como ficou o visual da bela  Chan Marshall. Shows no Brasil? Estamos no aguardo.

 

O baú de raridades dos Pistols está aberto!

Acabou a surpresa. Parece que todas as preciosidades que irão compor o aguardado new-super-deluxe-box (hehe) do eterno Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols estão vazando na web. Se na última semana a inédita “Belsen Was a Gas” foi divulgada, agora foi a vez do vídeo da canção “Holidays In The Sun”, de 1977, produzido e dirigido por Julien Temple, cair nas graças dos internautas de plantão. As imagens mostram Johnny Rotten e sua turma ‘causando’ em Berlim.

 

Relembrando o astro glam Marc Bolan

Ele usava maquiagem, uma Gibson Les Paul maravilhosa e tinha fãs do porte de David Bowie, Iggy Pop e Billy Idol. Se alguém aí disse Marc Bolan, líder do T-Rex, acertou. No último dia 16 de setembro, a morte desse ícone do glam rock completou 35 anos. Como cultura e bom gosto musical (olha que modesto…) são nossos pontos fortes por aqui, segue uma das incríveis composições de Marc Bolan.

 

Sobre cigarros e Kills

É num visual meio ‘canalhão’, que o guitarrista Jamie Hince, do incrível duo Kills, aparece no recém-lançado vídeo da canção “Wild Charms”. Divulgado nesta semana, o clipe da música que integra o álbum Blood Pressures também faz referências (ou não) a um filme dirigido pelo cineasta Jim Jarmusch. Correto? O único problema é que a canção – que por sinal é ótima – dura pouco.

 

O eterno e influente Hendrix

Impossível não homenagear Jimi Hendrix nesta semana, na qual a morte do ‘deus da guitarra’ completou 42 anos. Às vezes eu fico pensando o que esse cara estaria fazendo com a guitarra – que mais parecia a continuação do seu corpo – atualmente, considerando que explorou possibilidades até hoje inalcançáveis. No entanto, não podemos esquecer os dois gênios que acompanharam Hendrix no lendário trio Experience: Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchell (bateria). Por falar neles, nesta semana também foi celebrado o dia do baterista, não é mesmo Mitchell?   

Precursores do barulho: sete canções que ajudaram a moldar o punk

A banda peruana Los Saicos

Geralmente associado à rebeldia, canções rápidas e acordes simples, o punk rock ganhou fama no final da década de 70 e foi responsável por grandes mudanças no rock. Seja na Nova Iorque dos Ramones, Blondie e Dead Boys ou na Inglaterra dos Sex Pistols, o estilo ganhou adeptos em todo o mundo e ainda exerce forte influência na música atualmente.

Na última semana, o jornal britânico The Guardian jogou lenha na fogueira. Ao publicar uma reportagem sobre o grupo peruano Los Saicos, que entre 1964 e 1966 fez um garage rock alucinante, gritado e que pode sim ser considerado um dos ‘padrinhos’ do punk, a reportagem sugere – e a gente adora discutir esses temas por aqui – a seguinte questão: afinal de contas, quais bandas (e canções) ajudaram a construir os alicerces do punk rock.

Os Los Saicos, claro, integram a pré-história do punk. No entanto, além do grupo abordado pela reportagem do Guardian, o blog Cultura no Prato separou mais sete canções de bandas que também contribuíram para o surgimento de nomes como Ramones, Clash e Sex Pistos. Confira e deixe seu comentário.

 

Can You See Me (Jimi Hendrix Experience)

Embora Hendrix e o punk pareçam distantes, o riff feroz desta canção e o volume da guitarra apontaram o caminho para a turma barulhenta do final dos anos 70.

 

Kick Out The Jams (MC5)

Uma das primeiras bandas que abordou (de maneira agressiva) temas políticos em suas letras. Além disso, o grito “Kick out the jams, motherfuckers!”, que abre a canção, fala por si.

 

C’mon Everybody (Eddie Cochran)

Apesar da carreira meteórica, Eddie Cochran deixou um legado muito interessante. Nesta letra, o ícone rockabilly canta sobre como gastar ‘uns trocados’ em uma festa de rock e avisa: “When you hear that music you can’t sit still/If your brother won’t rock you then your sister will” (Quando você ouve aquela música que você não pode ficar parado/Se seu irmão não balançará com você, então sua irmã irá). À época, pura rebeldia. Não é à toa que Sid Vicious gravou uma versão dela antes de sua trágica morte.

 

Search and Destroy

Iggy Pop baseou-se em uma reportagem sobre a Guerra do Vietnã para escrever esta letra. A faixa, que integra o lendário Raw Power, soa evolucionária até os dias de hoje, cujo volume da guitarra e os berros de Iggy parecem estar bem mais altos que os demais instrumentos. Além disso, em 1977, o Clash utilizou a mesma sala de gravação para fazer seu disco de estreia.

 

White Light/White Heat

A temática da cena underground de Nova Iorque, repleta de marginais, artistas, prostitutas e travestis, amplamente abordada pelo Velvet Underground influenciou a tanto as primeiras bandas de punk rock norte-americanas quantos as inglesas. Além disso, a simplicidade dos acordes desta faixa serviu de cartilha para os Ramones.

 

She Said Yeah

Mesmo que não tenha sido composta originalmente pelos Stones – a canção foi um dos singles do incrível Larry Williams –, a versão rápida “She Said Yeah” coloca o grupo liderado por Mick Jagger e Keith Richards entre as principais influências do punk. O ex-Clash Joe Strummer, aliás, chegou a dizer que sem os Rolling Stones dificilmente ele teria virado guitarrista um dia.

 

Psycho (Sonics)

Os gritos do vocalista Gerry Roslie, do grupo norte-americano The Sonics, causaram estranheza no início dos anos 60.  Apesar de terem sido ofuscados pela ‘invasão britânica’ de Beatles e cia, o The Sonics influenciou diretamente nomes como New York Dolls e Ramones.

Resumo musical da semana

A poderosa combinação violão-bateria-piano do Madrid

A dupla Madrid, formada por Adriano Cintra e Marina Vello, ex-integrantes dos grupos Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê (respectivamente), divulgou nesta semana o ótimo vídeo da canção “Siblings”. Com uma combinação potente de violão, bateria minimal e acorde marcado de piano, a faixa traz ares de Gimme Danger, dos Stooges – sem contar as imagens do clipe, que esbanjam um puta trampo de fotografia. O Madrid é uma das atrações do festival indie Planeta Terra, que ocorre em outubro, no Jockey Club, em Sampa. 

 

Novo vídeo dos Racionais, vai vendo…  

Com direito a participações de Du Bronx, Don Pixote e William Magalhães, os incríveis e fundamentais Racionais MCs divulgaram nesta semana o vídeo da canção “Mente do Vilão”, que já vem sendo tocada nos shows do grupo há algum tempo. Sobre o vídeo, outra grande abordagem do cotidiano das ruas de São Paulo. É tenso.

 

Relíquia dos Pistols

Uma verdadeira preciosidade punk vazou no Youtube. A canção dos Sex Pistols, “Belsen Was a Gas” (vídeo abaixo), escrita pela lenda Sid Vicious sobre os campos de concentração nazistas, mas que não chegou a integrar o Never Mind…, fez a alegria dos fãs do grupo britânico nesta semana. A música é uma das faixas raras que irão compor o aguardado Box que vai celebrar os 35 anos do álbum Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols – discão que mudou os rumos do rock. A canção chegou a ser tocada em shows recentes dos Pistols, mas com o nome alterado pelo incendiário Johnny Rotten para “Baghdad Was A Blast”, em protesto contra a presença de tropas americanas no Iraque. A edição especial do disco será lançada em 24 de setembro. 

 

Releituras divinas do punk à new wave

O punk rock vira algo doce quando tocado pela banda mais cool França, a Nouvelle Vague. No entanto, não perde seu estilo perigoso.  A 16ª edição do festival Popload Gig traz a banda francesa, famosa por suas versões divinas e inconfundíveis de clássicos do punk-rock, pós-punk e new wave. O show ocorre no próximo sábado (15), no Cine Joia, A surpresa fica por conta do formato “Dawn of Innocence”, que traz a direção do estilista e designer franco-marroquino Jean-Charles de Castelbajac. Ótimo programa para o sabadão.

 

Neil Young e a Crazy Horse seguem trabalhando. A gente agradece!

Alguns artistas, de tão bons e criativos, fazem com que pareça ‘chover no molhado’ elogiá-los. Neil Young integra esse time. Ao lado de sua lendária banda de correligionários, a Crazy Horse, o músico já havia lançado neste ano o álbum Americana, que resgata clássicos da folk music. Agora, poucos meses depois, Neil Young e a Crazy Horse anunciaram o lançamento de outro trabalho, o disco Psychedelic Pill, previsto para chegar às lojas em 30 de outubro. Se no último disco os caras prestam uma homenagem a grandes clássicos, repare que na canção “Twisted Road” (vídeo abaixo), música que integra o álbum e que vem sendo executada nos shows do grupo, os versos passeiam por composições bem conhecidas. Algo proposital? Talvez…

 

 

Reedições do pré-punk ao punk

 

Dois discos, dois momentos e um grande impacto na música é o que se pode dizer sobre os álbuns Velvet Underground and Nico (1967) e Never Mind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols (1977). Dez anos separam estes clássicos, que irão ganhar reedições importantes (e especiais) neste ano – a gente agradece.

O impacto punk

 

Os Sex Pistols precisaram lançar apenas um álbum para literalmente ‘causar’ na música. Se os ingleses, à época, estavam acostumados a ouvir o pomposo Rod Stewart, a gangue de Johnny Rotten roubou a cena, com direito a palavrões em programas de TV e cusparadas na tradicional família real britânica – vai vendo.

Sobre o disco, riffs de guitarra ao estilo Chuck Berry, basicão mesmo, uma bateria pulsante e ‘o cara’ John Lydon detonando nos vocais. O impacto na molecada da Inglaterra foi avassalador. Se até o momento ninguém se importava para o estilo que já fazia sucesso no cenário underground norte-americano de Ramones, Blondie e Iggy Pop, os Pistols mostraram que esse tal ‘punk rock’ seria um movimento forte, proposta a mudar os rumos do rock – que no final dos anos 70 andava chato mesmo. A partir daí surgiram The Clash, Generation X e Buzzcocks, entre muitos outras bandas. Pronto, a bagunça estava armada.

A edição que chega às lojas no dia 24 de setembro será composta por três CDs. O primeiro traz o lindão Never Mind original, remasterizado. O disco 2 vai reunir raridades de estúdio e b-sides e o terceiro gravações ao vivo, tudo gravado no fantástico ano de 1977. Punk!

Os padrinhos do punk

 

O período colorido do movimento hippie foi negado pelo Velvet Underground, na segunda metade dos anos 60. Com a mão do artista Andy Warhol, ícone da pop art, na produção, o grupo formado por Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker e a bela Nico, abordava em suas canções o submundo urbano, drogas e um universo onde habitavam prostitutas e travestis.

Apesar de não ter sido um sucesso de vendas, o disco fez a cabeça de personagens que, alguns anos depois, integrariam bandas como New York Dolls, Stooges, Ramones e grande parte das bandas britânicas – repare só nas roupas pretas de Dave Vanian, vocal do Damned, e da cantora Sioux (Siouxsie and the Banshees). Toda essa influência dá ao Velvet o status de ‘padrinho do punk’. Duvida? Então ouça faixas como “Venus In Furs” e “Heroin”, que você irá entender.  

O relançamento, previsto para 1º de outubro, será composto por um box com seis discos. Ao todo, o material reunirá o álbum original (estéreo e mono), b-sides de estúdio, duas gravações ao vivo e o disco Chelsea Girl, da vocalista Nico – que integrou o grupo apenas neste primeiro trabalho. Vale muito a pena guardar uma grana para ter esta belezinha (eu vou comprar!).

 

Que isso, John?

 

O figurão John Lydon – Johnny Rotten nos tempos de Sex Pistols – continua polêmico. Se durante o boom do punk o vocalista disparava palavrões e ofensas em programas de TV, hoje não tem medo de falar o que pensa sobre a legalização das drogas.

Durante o programa britânico Question Time (confira um trecho no vídeo acima), exibido na última quinta-feira (5), John Lydon afirmou: “Não vejo por que essas coisas (drogas) deveriam ser ilegais, se a informação correta está lá fora”. O músico ainda destacou que existem outras substâncias que podem ser prejudiciais à saúde no cotidiano das pessoas, como um simples ‘sal de mesa’ (what?), e defendeu o direito de cada um definir a própria ‘jornada de vida’. De fato, o cara continua impossível.

Oliver Stone

 

Outro que segue a mesma linha, só que na área do cinema, é Oliver Stone. Recentemente, o diretor estampou a capa de uma revista norte-americana fumando o tal ‘cigarrinho do capeta’. Por falar no cineasta, seu próximo filme, chamado Savage, vai abordar a temática tráfico de drogas e tem estreia prevista (nos Estados Unidos) para esta sexta-feira (6).  Enquanto o mundo não sabe o que fazer com a ‘questão drogas’, o campo das artes segue botando o dedo nesta incômoda ferida.