“Ghost in the Shell”: reflexões sobre o pós-humano e o pós-industrial

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O primeiro trailer da série de mangá Ghost in the Shell foi divulgado na última semana e, seguindo a lógica da publicação que lhe deu origem, exibiu visual futurista com imagens que remetem a momentos Ridley Scott, entre outros autores de ficção.

Na trilha sonora, a versão (remix) do produtor Ki Theory para “Enjoy the silence” (Depeche Mode) parece conectada ao filme na essência do ato de adaptar, o que também ocorre com o filme – já que este sua forma original, se é que podemos usar esse termo, possui linguagem de quadrinho. Não se trata de um aspecto negativo, mas considerar que reproduções e adaptações são formas artísticas do nosso tempo. Entretanto, há outra ideia que atravessa a obra, a estrutura de uma sociedade futurista hiperconectada e em constante simulacro.

Muitos autores discutiram a relação entre humanos e tecnologias, impossível não abordar essa temática hoje, uma vez que as pessoas circulam com telas e dispositivos em praticamente todos os espaços públicos. Jean Baudrillard, por exemplo, em sua obra fala sobre a erosão do sujeito, da política e da informação – no caso da mídia, podemos considerar que imagens aleatórias deixam de mediar, ou seja, temos uma mídia antimediadora por sua indiferença.

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Se o sujeito desaparece na superação da metonímia sobre a metáfora, na visão de Baudrillard, para a autora Dora Haraway ele se converte na figura metafórica do ciborgue, outra questão que aparece em Ghost in the Shell. Mas claro, longe do humano com recursos robóticos do filme, o ciborgue de Haraway ultrapassa o dualismo homem/mulher ao multiplicar as possibilidades de gênero.

Assim, a ficção que chega aos cinemas não deve ser lida como mero produto da indústria cultural, mas como possibilidade de reflexões sobre conceitos pós-humanos da era pós-industrial. Somos hiperconectados, mas existe ética nessa comunicação em meio ao espetáculo técnico-imagético? Há muitas configurações de corpos possíveis, por que ainda enxergamos dicotomias? Sobre tais aspectos, Haraway e Baudrillard, aplicados a certas produções futuristas, despertam provocações acerca do mundo tecnológico, que nem sempre significa avançado.

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