O Arcade Fire e sua admiração pelo Clash

 

Desde que surgiu no cenário musical, o Arcade Fire parece estar disposto a experimentar – musicalmente falando, claro. A banda canadense chegou a passar pelo Brasil, ainda pouco conhecida, durante o extinto Tim Festival, em 2005 – ao lado do Strokes. Mas é desde o álbum The Suburbs (2010) que o grupo vem ganhando cada vez mais respeito no cenário musical.

No campo sonoro do Arcade Fire, há lugar para piano, violino, xilofone, teclado, acordeão e harpa. A experimentação é na dose certa e os instrumentos compõem o estilo indie único da banda. Não à toa artistas do nível de David Bowie têm rasgado elogios ao grupo. Em seu trabalho mais recente, Reflektor, o Arcade vai da dance music ao folk de maneira ousada, e dialoga com o Clash dos tempos de Sandinista! (1980).

A menção ao Clash neste texto não tem nada a ver com minha admiração pelo grupo britânico de punk rock, mas pela paixão do próprio Arcade Fire pelo legado da banda liderada por Joe Strummer. Em 2007, o grupo canadense gravou uma versão poderosa para “Guns Of Brixton”, durante um especial na BBC, e nesta semana vazou na web outra homenagem – igualmente linda.

Durante um show ocorrido em novembro, no lendário Roundhouse, Londres – onde o Clash cansou de tocar –, o Arcade Fire tocou o clássico punk “I’m So Bored With The USA”, seguindo à risca a cartilha dos três acordes. Ficou bem boa. Já estou na torcida para que eles toquem a mesma versão por aqui, no Lolla 2014.

 

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Junior Murvin morre aos 67 anos

 

Triste. Na última segunda feira (2), segundo o Jamaica Observer (cuja informação foi reforçada pela NME), o gênio do reggae Junior Murvin, autor de álbuns importantes como Police and Thieves (1977), Muggers in the Street (1984) e Apartheid (1986), faleceu por conta de complicações em seu tratamento de combate a diabetes.

Famoso por ser uma espécie de conexão entre o punk inglês e o reggae jamaicano, o músico compôs o clássico “Police & Thieves”, produzido pelo também gênio Lee “Scratch” Perry, que ganhou versões de Clash, Boy George e do nosso Tribo de Jah.

Durante as décadas de 70, 80 e 90, Junior Murvin trabalhou com gente do naipe de Joe Gibbs, Mikey Dread, Prince Jammy e King Tubby. A seguir você confere a versão original de “Police & Thieves”. Valeu, Junior!

 

Clash: do “Sound System” à homenagem do Kurt Vile

 

Membros remanescentes do lendário The Clash organizaram o lançamento do box comemorativo Sound System. A caixa, comercializada em um formato criativo e atraente que lembra um rádio antigo, chegou às lojas oficialmente nesta terça-feira (10). O conteúdo reúne os cinco álbuns gravados pela formação clássica da banda: The Clash (1977), Give’em Enough Rope (1978), London Calling (1979), Sandinista (1980) e Combat Rock (1982).

Além das versões remasterizadas dos discos de estúdio, a caixa ainda traz três CDs recheados de demos, b-sides e singles, um DVD – cujo material é inédito – e o fanzine do grupo, “Armagieon”. Segundo entrevista concedida pelo baixista Paul Simonon à Rolling Stone gringa, a seleção da caixa ficou por conta do guitarrista Mick Jones, enquanto a arte foi assinada por ele (Simonon).

Outra notícia legal sobre o Clash que ganhou espaço na mídia nos últimos dias foi a versão para “Guns of Brixton”, gravada pelo músico norte-americano Kurt Vile – figura famosa no cenário alternativo –, com apoio da banda The Violators (vídeo acima). A releitura ficou “de responsa”.

Menção ao grande Joe Strummer

No último dia 21 Joe Strummer teria completado 61 anos. Infelizmente o coração do líder do Clash decidiu parar de bater em 22 de dezembro de 2002, e deste então, fãs do músico como o autor deste texto, prestam homenagens durante o mês de agosto.

Lembro que no início deste ano tive a sorte de conhecer, em um boteco na Vila Madalena, uma turista italiana, chamada Rita Comi, que me contou uma história interessante sobre Joe. Certa vez, durante um festival de música na Itália, em 1999, ela teve acesso ao backstage. Entre as atrações do evento estava a banda de Joe Strummer, os Mescaleros.

Sim, Rita não só conheceu Joe Strummer como conversou com ele durante horas. Ela disse também que Joe fez questão de apertar as mãos de todos os músicos da banda de abertura e falar com a molecada sem pressa de ir embora. Enfim, uma história emocionante demais para um fã de Clash.

Pegando carona em algumas homenagens legais que rolaram na última semana, como a ótima lista de curiosidades sobre Joe e o Clash, publicada no site da NME, selecionei algumas releituras que bandas legais fizeram para canções do fundamental grupo inglês. Uma singela menção ao grande Joe Strummer.

Resumo musical

Arctic Monkeys divulga lado B de “Do I Wanna Know?”, a galáctica “2013”

O Arctica Monkeys segue mostrando que é uma das bandas mais criativas de hoje – e produtivas também. Há poucas semanas o grupo divulgou a faixa “Do I Wanna Know?”, que tem presença garantida do próximo álbum dos Monkeys, AM (que chega às lojas em 10 de setembro). Hoje foi a vez de “2013” ganhar espaço na imprensa especializada em música. A canção será lançada no próximo dia 22, como lado B da ótima “Do I Wanna Know?” – que além de integrar o AM também sai no formato single. Apesar de trazer o riff característico dos últimos trabalhos da banda, essa “2013” soa mais como uma espécie de balada galáctica. Vale a pena viajar ao som dela.

 

Pearl Jam volta aos palcos, lança single e evoca o Clash

O Pearl Jam lançou na última semana a punk (e boa) “Mind Your Manners”, primeiro single do próximo álbum da banda, Lightning Bolt. O novo trabalho deve chegar às lojas em 15 de outubro e nesta semana Eddie Vedder e sua turma voltaram aos palcos ao estilo Pearl Jam, ou seja, como gente (banda) grande. Durante uma apresentação no Canadá, o grupo prestou homenagem ao grande Clash, ao tocar um trecho do hino-punk “London Calling”. Não foi a primeira vez que a banda de Eddie Vedder fez um cover do Clash, “Know Your Rights” e canções da fase solo do Joe Strummer já haviam rolado em outras ocasiões. São fatos como este que fazem a gente gostar ainda mais do Pearl Jam, não é mesmo?

 

Novidade do Smashing Pumpkins? Só o lançamento do material ao vivo “Oceania: Live in NYC”

O Billy Corgan não anda lá muito inspirado atualmente. Mas, para os fãs mais eufóricos do grupo Smashing Pumpkins, eis que surge um consolo. No próximo dia 3 de setembro a banda lança, em áudio e vídeo, o show gravado no Barclays Center, no Brooklyn. O material, cujo título é Oceania: Live in NYC, será composto pelo show completo, mais galeria de fotos e também entrevistas – para a versão em vídeo, lógico. O vídeo a seguir mostra a faixa “Cherub Rock”, tocada pelo grupo durante a apresentação que será lançada em breve.

 

Bob Dylan: da jam com o Wilco ao trailer de “Bootleg Series Volume 10.”

O gênio Bob Dylan divulgou nesta semana o trailer do documentário Another Self Portrait (1969 – 1971), que inclui entrevistas com os músicos Al Kooper e David Bromberg. Ambos tocaram nas sessões do lendário álbum Self Portrait, bem como nos vídeos de “Went To See The Gypsy”, “Pretty Saro”, “Tell Old Bill”, “Time Passes Slowly” e “When I Paint My Masterpiece”. Enquanto novidades sobre o filme são aguardadas, Dylan surpreendeu ao convidar os vocalistas Jeff Tweedy, do Wilco, e Jim James, do My Morning Jacket, para dividir o palco com ele, durante um show em Toronto, ocorrido na última segunda-feira (15). Para conferir a jam, clique aqui, já o trailer de Another Self Portrait (1969 – 1971) você confere a seguir.

 

Uma atitude digna do “Boss” Bruce Springsteen

“I want to send this one out as a letter back home. For justice for Trayvon Martin” (Quero enviar esta canção como uma carta de volta para casa. Pela justiça de Trayvon Martin), foi a frase dita por Bruce Springsteen, no último dia 16 de julho, durante uma apresentação do “Boss” no Thomond Park, em Limerick. A menção é sobre o caso do rapaz  Trayvon Martin, supostamente morto por causa de racismo em 2012. O acusado, George Zimmerman, foi considerado inocente há poucos dias, fato que gerou uma enorme polêmica. O Cultura no Prato concorda com a postura do “Boss”.  

This is radio box

O box "The Clash Sound System" chega às lojas em 9 de setembro deste ano (Foto: Divulgação).
O box “The Clash Sound System” chega às lojas em 9 de setembro deste ano (Foto: Divulgação).

 

Vez por outra, determinadas lendas da música voltam a ser notícia, mesmo que já tenham ‘pendurado os instrumentos’ há um bom tempo. Na última semana, o anúncio divulgado no site da banda inglesa The Clash, sobre o lançamento do box The Clash Sound System, repercutiu na imprensa especializada – fato de extrema importância para o público do Cultura no Prato.

Organizada pelo baixista Paul Simonon, a caixa irá reunir os cinco álbuns de estúdio da banda–  The Clash (1977), Give ‘Em Enough Rope (1978), London Calling (1979), Sandinista! (1980) e Combat Rock (1982) –, todos remasterizados, e mais três discos com singles, canções raras, demos, b-sides e um DVD com vídeos do grupo, somados a imagens captadas pelos diretores Julien Temple e Don Letts. Além disso, o material terá pôsteres, adesivos e uma versão do fanzine da banda, Armagideon Time.

Os discos e o material ilustrativo serão comercializados dentro de uma caixa no formato de um rádio, desenhada por Simonon, numa clara menção ao colega Joe Strummer – que costumava usar o aparelho como símbolo do alcance global de suas composições. O box será lançado em 9 de setembro e deverá custar US$ 169 (R$ 346).

Uma praça chamada Joe Strummer

Por falar em Clash, o vocalista Joe Strummer foi homenageado na última segunda-feira (20), quando teve seu nome usado para batizar a praça Placeta Joe Strummer, inaugurada na região sul de Granada, na Espanha. A ideia surgiu após a mobilização de fãs nas redes sociais.

A relação de Strummer com a Espanha também é tema do documentário I Need a Dodge! Joe Strummer on the Run, dirigido por Nick Hall. O filme aborda desde o romance do músico com a baterista da banda punk The Slits, Palmolive – que era espanhola –, até o período em que Joe viveu em Granada, pouco antes do fim do Clash.

A seguir você confere os teasers de lançamento do box  The Clash Sound System e o trailer do documentário I Need a Dodge! Joe Strummer on the Run. Enjoy!

 

 

 

Homenagem ao coração espanhol de Joe Strummer

Praça na Espanha será batizada com o nome do ex-líder do Clash
Praça na Espanha será batizada com o nome do ex-líder do Clash

 

“Spanish songs in Granada, oh ma corazón” (“Canções espanholas em Granada, oh meu coração”), disse Joe Strummer em um dos versos da bela “Spanish Bombs” (vídeo abaixo), faixa que integra o álbum clássico do grupo inglês The Clash, London Calling. A menção à Espanha, no entanto, não ocorreu por acaso, nasceu de uma verdadeira relação afetiva entre o músico e o país europeu.

Na última terça-feira (15), segundo o jornal britânico The Guardian, a prefeitura de Granada decidiu homenagear o vocalista do Clash, cuja morte completou dez anos no último dia 22 de dezembro, com praça batizada com seu nome: a Plaza Joe Strummer. “Eles (Clash) falam muito sobre política, a ditadura de Franco e o poeta e dramaturgo Federico García Lorca. Essa é a raiz de seu interesse”, disse ao jornal a porta-voz da prefeitura de Granada, María José Anguita. A ideia, no entanto, foi motivada por uma mobilização de fãs no Facebook.

Apesar da abordagem política ser a grande inspiração do Clash – e nas letras de Joe –, “Spanish Bombs” também pode ser considerada uma canção romântica. Antes de integrar o grupo britânico, Joe Strummer namorou a espanhola Paloma Romero (Palmolive), que anos mais tarde se tornaria baterista da banda punk The Slits. O casal chegou até a morar junto, na Inglaterra. Certa vez, durante uma entrevista, o vocalista disse que o romance com a moça influenciou a canção.

Pouco antes do fim do Clash, em 1984, Strummer viajou à Espanha para refletir sobre a carreira, claramente chateado pelo desmembramento iminente da banda. Sendo assim, a Espanha não foi somente uma inspiração para suas canções, mas um abrigo procurado por Joe Strummer nos momentos difíceis. Com a inauguração da praça, a relação entre o músico e Granada finalmente será eternizada, por meio de uma homenagem bonita e merecida.