Planeta Terra 2012: meninas arrasam e Brett Anderson mostra ‘escola Morrissey’

 

Foi uma tarde cinzenta, com muita chuva, que marcou a edição 2012 do festival alternativo Planeta Terra. Mais indie que isso, impossível. Antes de sair de casa rumo ao Jockey Club, local que recebeu e evento, fiz questão de anotar um cronograma de ‘shows obrigatórios’, lista que incluía Best Coast, Suede, Azealia Banks e Garbage – nessa ordem.

Com a chuva controlada, o final de tarde ouviu os primeiros acordes do show do grupo californiano Best Coast (vídeo acima). Com Bethany Cosentino toda de preto, figurino que destacava sua guitarra modelo Fender Telecaster creme, a banda emendou hits de seus dois álbuns Crazy for You (2010) e The Only Place (2012). Talvez pela magia de melodias ensolaradas como “Crazy for You”, “Summer Mood” e “The Only Place”, ou mera coincidência, o sol deu o ar da graça durante um trecho da apresentação. A aparição foi tão marcante que até a Bethany emendou: “Trouxemos o sol” – sem dúvida, um dos melhores momentos do festival. Vale destacar ainda a força do set-list, que contou com faixas “Do You Love Me Like You Use”, “I Want To”, “When I’m With You” e a canção-baladinha-fofa “Boyfriend”.

O Suede subiu ao palco com a responsa de agradar os fãs, que há muitos anos esperavam uma visita da banda ao Brasil. E o grupo de Brett Anderson não desapontou, fez bonito, jogou pra torcida, com um set-list jeitão ‘greatest hits’. Enquanto canções como “She”, “Trash”, “Animal Nitrate” e “We Are the Pigs” faziam a galera soltar a voz, dois caras ao meu lado, que não conheciam a banda, perguntaram: “esse cara lembra demais o Morrissey, dos Smiths, não é mesmo?”. Achei o comentário engraçado e respondi: “Ele (Brett Anderson) integra uma banda inglesa dos anos 90 e, assim como os demais grupos de sua época, passaram pela escola Morrissey”.

Olhei para o relógio e percebi que era necessário correr para ver a pimentinha Azealia Banks. Precisei sacrificar “New Generation” e “Beautiful Ones”, que fecharam o show do Suede, sorry Brett. Dei sorte, cheguei poucos minutos antes do DJ da rapper iniciar a apresentação. Quando a moça entrou, de topzinho brilhante e cabelão solto, mandou ver a sequência matadora de “Out of Space”, “Neptune?”, “Atlantis” e “Fuck Up the Fun”, todas da mixtape lançada por Azealia neste ano. Com uma energia contagiante, que impressionou até o público que não conhecia a cantora, a rapper fez jus ao rótulo de um dos nomes mais cool (segundo a NME) desse tal ‘novo rap’. A nota triste ficou por conta do show curto, mas eletrizante, de apenas meia hora. A frase “é a minha primeira vez na América do Sul, façam barulho por isso”, dita por Azealia, vai ficar na lembrança, assim como as diversas vezes em que a cantora disse “fuck” e “bitch”, hehe. Azealia ainda tocou “Luxury”, “Liquorice”, “Esta Noche” e “212”, fazendo a galera agitar do início ao fim. Baita show.

Restava apenas o Garbage para que a minha missão fosse cumprida. A primeira vez de Shirley Manson e cia no Brasil, outro momento ‘revival anos 90’ do Planeta Terra. E, para a minha alegria, outro grande show. No entanto, diferente do Suede, o Garbage procurou mesclar canções do novo disco Not Your Kink of Poeple e clássicos que marcaram a carreira do grupo. A figura imponente de Shirley Manson é um show à parte, a musa manteve o público em suas mães enquanto cantava “Automatic Systematic Habit”, “Paranoid” e “Why do You Love Me?”.

O baterista Butch Vig, também conhecido por ter produzido o álbum Nevermind, de um tal Nirvana, destacou a importância da vinda do grupo ao Brasil, enquanto Shirley Manson fez questão de reforçar: “um grande obrigado a todos que nos esperaram por tanto tempo. Desculpe por terem feito vocês esperarem tantos anos. Agora estamos aqui em São Paulo, no Brasil”, disse. Ainda houve tempo para o Garbage tocar “Queer”, “Stupid Girl”, “Cherry Lips dn 1/2 Step” e “Blood for Poppies”. A derradeira canção gerou expectativa, era possível ouvir cochichos como: “será que vai chover, será que vai chover?”. Não choveu, mas Shirley entoou os versos de “Only Happy”, música que melhor traduz o clima cinzento e vibrante que marcou esta edição do festival favorito dos indies: “I’m only happy when it rains…”. Ah, o evento ainda contou com os shows dos grupos Gossip e Kings of Leon que, segundo a opinião da galera e da crítica, também mandaram bem! Nos vemos na edição 2013.

 

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