Cat Power flerta com o eletrônico, o resultado é o ótimo “Sun”

 

Chan Marshall, a incrível Cat Power, aguçou os holofotes do cenário indie, na metade dos anos 90, ao elaborar uma mistura bem-sucedida de folk, jazz, rock e punk. Na Virada Cultural de 2010, a moça se apresentou em Jundiaí, São Paulo. Na ocasião, o show alternou momentos suaves e de pura energia. Se em determinados momentos a voz rouca de Cat Power era acompanhada por um piano, ao final da apresentação a moça tocou bateria, durante o barulhento cover de “I Wanna Be Your Dog“, dos Stooges. Acho que isso explica o leque de possibilidades que giram em torno dos trabalhos da artista.

No próximo dia 3 de setembro chega às lojas o disco Sun (clique aqui e ouça), nono trabalho de estúdio de Cat Power. O disco possui letras amargas, emotivas – após levar ‘um fora’ do ex-namorado, a cantora cortou o cabelo bem curto e foi terminar as gravações na França, só de raiva – e mostra uma artista disposta a experimentar outros rumos musicais (novamente). O flerte da vez ocorreu com a música eletrônica. Novo acerto da bela Chan Marshall.

O álbum abre com “Cherokee” (vídeo abaixo), faixa que começa cadenciada, destacando a bela voz da cantora. Em seguida vem a surpresa (e cartão de visitas do disco): a variação eletrônica que deixa o clima mais dançante. Entre um trecho e outro é possível notar boas referências, que ajudam a dar corpo ao conteúdo experimental. Em músicas como “Sun” e “Silent Machine” é impossível não relembrar os bons momentos do Depeche Mode, por exemplo.

Em “Peace and Love”, faixa de batida marcante e acompanhada por uma guitarra limpa ao fundo, traz referências de “Venus in Furs”, do Velvet Underground. Já a letra da bela (e nervosa) “Human Being” deixa o seguinte recado: “You got a right/Your’re a human being”. (Você tem o direito/Você é um ser humano). Tudo parece estar conectado ao momento ‘fim de relacionamento’, vivido por Cat Power.

Essa evidência fica clara em “Ruin”, outra faixa que já foi divulgada na web, na qual Chan Marshall canta: “What are we doing? We’re sitting on a ruin” (O que estamos fazendo? Estamos sentados em uma ruína).  Nos anos oitenta, o líder do PIL John Lydon já anunciava: “angry is an energy” (a raiva é uma energia). No caso de Cat Power, uma energia bastante criativa.

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