O segundo dia do Lollapalooza: Arctic Monkeys inspirados e a batalha entre Jane’s Addiction e os Racionais MCs

Alex Turner, dos Arctic Monkeys, e seu penteado estilo Ritchie Valens (Foto: Divulgação)

 

O sol brilhava em São Paulo quando os portões do Jockey Club se abriram para o segundo dia do festival Lollapalooza, idealizado pelo líder da banda Jane’s Addiction, Perry Farrell. O evento começou nos Estados Unidos, nos anos 90, e foi a primeira vez que passou pelo Brasil. Minha expectativa era grande, até porque, eu iria acompanhar um festival gringo pela primeira vez.

Antes do evento, defini minhas prioridades, ou seja, as bandas que pretendia assistir. A ordem (de importância) foi a seguinte: Arctic Monkeys, Racionais MCs, Jane’s Addiction, Foster The People, MGMT e Thievery Corporation. Ah, assim que cheguei consegui pegar também o final do show da banda Plebe Rude, que contou com a participação especial do punk paulista Clemente (dos Inocentes).

Sobre a organização do evento, achei boa, e devo confessar que foi melhor que outros festivais que conferi. Banheiros bem localizados, torneira para lavar mãos e rosto (algo justo, levando em consideração o calor que fazia) e boa distribuição dos pontos de venda das fichinhas (para cerveja, água, refrigerante e lanches). O preço da cerveja, no entanto, estava um pouco elevado (R$ 8 o copo de 500 ml). Mas, minhas economias proporcionaram meu dia de “classe operária no paraíso”.

Vamos aos shows. O Thievery Corporation realizou um belo set, com suas influências de música jamaicana e bom uso dos instrumentos de sopro.  MGMT e Foster The People fizeram apresentações boas, cada um para o seu público. Confesso que ambas jamais me chamaram a atenção em especial, mas, vi muita gente berrando as canções em voz alta. Como o horário era quase simultâneo, vi o começo do MGMT e corri para assistir ao finalzinho do Foster. No caminho, uma garota, em êxtase, gritava: “gente, o MGMT está lindo, mas eu preciso ver o Foster”. Olha só a dúvida cruel, coitada.

Quando o Jane’s começou, percebi que os solos de guitarra do Dave Navarro continuavam bons e a performance do Farrell, que estava num visual meio “Lux Interior” (dos Cramps), segurava legal o climax de “Idiots Rules”. Abandonei o Jane’s Addiction pela metade para arrumar um lugar bom na apresentação dos Racionais. Antes, no mesmo palco, havia passado o furacão Skrillex, que fez jus ao sucesso que vem fazendo no cenário internacional de música eletrônica, com um show incrível, mesmo para quem não curte esse estilo musical – como eu.

O tempo passava e nada dos Racionais subirem ao palco. Olhei ao meu redor e a tenda estava lotada, muita gente deixou de ver o Jane’s – e até mesmo de disputar um lugar melhor para ver os Monkeys – para aguardar os Racionais. Ao meu lado, um pessoal de Minas Gerais cantarolava canções do grupo de Mano Brown e companhia, o que mostra que os caras tem moral com a burguesia também – considerando que grande parte dos fãs dos caras não pagaria R$ 300,00 para ver a banda. Fato. Não pude mais esperar, precisava correr para garantir meu lugar no show dos Arctic Monkeys. Fiquei sabendo hoje, pela grande imprensa, que os Racionais fizeram uma grande apresentação, para mais de 2 mil pessoas.  

Quando Alex Turner e seu grupo subiram ao palco, o público do Lollapalooza conferiu o melhor show daquela noite chuvosa – e talvez um dos melhores de todo o festival. Contando com a pegada monstruosa da bateria de Matthew Helders – que dita o ritmo da banda –, o grupo desfilou seus hits sem dó nem piedade. Alex, com um penteado ao estilo Ritchie Valens, vez ou outra arrumava o topete e apontava de um lado para o outro, numa espécie de marca registrada. O vocalista direcionou poucas frases ao público e se preocupou em fazer uma apresentação de qualidade, nos mínimos detalhes. O show dos Arctic Monkeys  foi um passeio pelos principais sucessos do grupo, como “Teddy Picker”, “Crying Lighting”, “When The Sun Goes Down” e “Suck It and See”. Além disso, a banda tocou os recém-lançados singles “R U Mine?” e “Evil Twin”.

O público que compareceu ao segundo dia do Lollapalooza assistiu ao show de um Arctic Monkeys bem mais maduro do que o que esteve por aqui em 2007, época em que lançaram seu disco de estreia. E foi assim, com um show contundente e preciso, sem frescura, e com um bom rock, que os ingleses encerraram o evento. Enquanto caminhava rumo ao metrô, pensava (com meus botões): “a escola de rock da Inglaterra continua formando grandes bandas e os Arctic Monkeys são um bom exemplo disso”. Até o próximo festival. SWU? Planeta Terra? Vamos aguardar.

Abaixo, um trechinho do show dos Monkeys:

 

Confira o setlist do show dos Arctic Monkeys:

Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair
Teddy Picker
Crying Lighting
The Hellcat Spangled Shalalala
Library Pictures
Brianstorm
The View From The Afternoon
I Bet You Look Good On The Dancefloor
Brick by Brick
This House is a Circus
Still Take You Home
Evil Twin
Pretty Visitors
If You Were There, Beware
Suck it and See
Do Me a Favour
R U Mine?
When The Sun Goes Down
Fluorescent Adolescent
505

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s